Madrid
Chris Younker, no Flickr.com / Licença Creative Commons 2.0O filólogo Víctor García de la Concha, que dirigiu a Real Academia Espanhola entre 1998 e 2010, foi hoje nomeado diretor do Instituto Cervantes.
O anúncio foi feito pela vice-presidente do Governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, após a reunião do Conselho de Ministros, em Madrid.
A nomeação de García de la Concha verifica-se uma semana depois de o escritor peruano Mario Vargas Llosa ter recusado o convite do Governo espanhol para presidir à instituição.
A atual diretora geral do Cervantes é Carmen Caffarel, nomeada em 2007.
García de la Concha, com doutoramento em Filologia, após licenciatura em Teologia, nasceu a 02 de janeiro de 1934 na localidade asturiana de Villaviciosa.
Especialista em Literatura da Idade Média e da Renascença, é também um investigador destacado das letras contemporâneas, em particular da poesia espanhola do século XX e de autores como Antonio Machado ou Juan Ramón Jiménez.
Eleito para a Academia a 07 de novembro de 1991, integrou efetivamente a instituição em maio de 1992 com a comunicação "Filología e mística: San Juan de la Cruz, 'Chama viva de amor'".
Em 1998 sucedeu a Fernando Lázaro Carreter como diretor da Real Academia Espanhola, cargo que desempenhou até 2010, quando foi substituído pelo filólogo José Manuel Blecua.
Entre 2005 e 2010, presidiu à Fundación del Español Urgente (Fundéu BBVA), entidade impulsionada pela agência Efe, e ao banco espanhol BBVA, para a defesa da língua espanhola, nos meios de informação.
Em declarações à agência de notícias Efe, após a nomeação para o novo cargo, García de la Concha disse que defende "a visão da América e do ensino do espanhol no estrangeiro", numa perspetiva de aproximação "à visão [latino]-americana".
Para García de la Concha o Instituto Cervantes "tem como missão a difusão da língua e da cultura em espanhol".
Sobre a sua nomeação pelo Governo, entende que a equipa de Mariano Rajoy terá encontrado nele uma "ampla experiência acumulada, parecendo-lhe egoísta não aceitar a proposta", se o convite tinha implícito o entendimento de que "podia servir o país no sentido [da língua e da cultura]".
Os poetas Luis Landero e José Manuel Caballero Bonald e a romancista Soledad Puértolas contam-se entre os escritores espanhóis que, ao longo do dia, reagiram positivamente à nomeação de García de la Concha, destacando a sua longa carreira em defesa da língua e da cultura de Espanha.
O escritor galego Manuel Rivas resumiu o acolhimento dos meios literários assegurando que Víctor García de la Concha tem "a lucidez, a tolerância e o conhecimento que agora fazem falta".



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