Felisbela Lopes é a mais inconformada por sugerirem reduzir a informação na RTP
Dos 10 elementos que compõem o grupo de trabalho criado pelo ministro Miguel Relvas para estudar o conceito de serviço público de comunicação social – cujos resultados iriam ser conhecidos esta sexta-feira –, três saltaram fora da equipa nos últimos 10 dias. E todos eles por razões diferentes. Miguel Relvas não comenta esta hecatombe no grupo de trabalho.
O primeiro foi João Amaral, director-geral do grupo editorial Leya, que alegou razões “pessoais”, numa carta entregue ao presidente deste grupo, João Duque, na reunião de 26 de Outubro, dois dias depois da administração da RTP ter revelado publicamente o plano de sustentabilidade da estação pública, que prevê a venda de um dos canais, a RTP1. O i tentou entrar em contacto com João Amaral, mas tal não foi possível até ao fecho da edição.
Seguiu-se Francisco Sarsfield Cabral, ex-director de Informação da Renascença, a 30 de Outubro. Ao i, Sarsfield Cabral explicou que o motivo desta demissão prende-se com “a falta de sentido que foi apresentar o plano de reestruturação da RTP quando ainda o grupo de trabalho não tinha terminado as suas propostas”. “Como já estava definido o conceito de serviço público e eu já tinha entregue o meu contributo, achei que já não havia nada a fazer ali”, explicou, acrescentando não estar “zangado com ninguém, percebo que, dadas as circunstâncias, o governo queira vender um dos canais, mas sou contra essa privatização”.
Contra o fim da rtp Informação
Finalmente, esta semana foi a vez de Felisbela Lopes, investigadora de assuntos de média e televisão da Universidade do Minho. E fê-lo com algum estrondo: “Fiquei boquiaberta quando vi, na 5ª versão do documento final, a proposta de reduzir a informação no serviço público”. E, pelos vistos, a sugestão do documento “era até acabar com a RTP Informação”, tal como José Manuel Fernandes, membro do grupo, sugeriu em entrevista ao i em Outubro. Eduardo Cintra Torres, membro da mesma equipa, afirmou também há cinco dias, numa entrevista, que “não é preciso informação num operador público de rádio e televisão”. Também Sarsfield Cabral se manifesta contra a manutenção da informação na RTP, “tirando informação específica que não é coberta pelos operadores privados”
Felisbela Lopes diz que “nunca poderia assinar um documento que anula um dos eixos estruturantes dos conteúdos de serviço público, que é a Informação”. A investigadora afirma que “é precisamente em momentos de crise que se deve reforçar os conteúdos informativos”.



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