O STRUP - Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal apelou hoje a uma greve parcial na Carris em protesto contra aquilo que considera ser um despedimento "ilegal" de um delegado sindical da empresa.
"Apelamos a uma greve, na semana de 12 a 16 de março, na recusa ao trabalho na primeira e última hora de casa serviço", disse hoje Manuel Alves, do STRUP.
O dirigente sindical falava junto à estação da Carris na Pontinha, em Odivelas, durante a sessão pública de denúncia o despedimento. Contactada pela Lusa, a transportadora indicou que "foi seguido o procedimento habitual e que é extensível a todos os colaboradores da empresa, sejam eles delegados sindicais ou não".
Em causa está, segundo o sindicato, um delegado e membro da comissão de trabalhadores que foi despedido na sequência de uma alegada recusa em fazer um teste de álcool.
"Enquanto ele estava a conduzir, uma passageira caiu no autocarro. O 112 foi chamado, o condutor fez o teste do álcool e continuou a trabalhar. Duas horas depois, no fim da carreira, foi abordado por um serviço próprio da Carris para fazer um segundo teste de álcool", contou Manuel Alves à Lusa.
De acordo com o sindicalista, o trabalhador "não se recusou a fazer o teste, pediu apenas para o fazer em privado", mas a empresa "alega que houve recusa" por parte do funcionário. Segundo Manuel Alves, a empresa alega ainda que o funcionário também não teria a gravata corretamente apertada.
Para o STRUP, este despedimento é "ilegal" e tem por base "motivações políticas com intenções claras de amputar o sindicato e a comissão de trabalhadores de um elemento necessário e emprenhado no esclarecimento e mobilização dos trabalhadores".
"Exigimos a readmissão imediata do trabalhador e o fim desta atitude prepotente do conselho de administração da Carris", disse também o sindicalista na denúncia pública.
Presente na ação esteve também o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, que quis assim mostrar "solidariedade" e "transmitir que este não é um processo fechado".
Para o responsável, esta decisão da Carris "não reflete força, mas sim fraqueza" e faz parte da "campanha de calúnia à luta dos trabalhadores das empresas do setor dos transportes públicos".
Arménio Carlos defendeu que "o que está em marcha" é a luta dos trabalhadores pela defesa dos serviços públicos, contra a privatização parcial ou total das empresas e pela manutenção dos acordos de empresa.
A deputada do PCP Rita Rato também marcou presença na ação de denúncia, na qual afirmou que a atitude da Carris é "um mau sinal para o regime democrático" e que o Partido Comunista já questionou o Governo acerca deste despedimento.
Fonte da Carris afirmou que o trabalhador em causa se "recusou" a fazer o teste de álcool "solicitado pela fiscalização técnica" e "não respeitou as regras definidas para o pessoal tripulante, apresentando-se ao serviço com a barba por fazer, o colarinho desapertado e um aspeto desleixado".
A empresa referiu ainda que o funcionário em causa é "reincidente neste tipo de situações, tendo já sido suspenso por três vezes no âmbito de processos disciplinares".



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