Apesar de estar a ser acusado no Brasil pela morte de Rosalina Ribeiro, Duarte Lima acabou por ser detido em Portugal no âmbito de um outro caso. O advogado e ex-deputado do PSD foi detido...
Ficou detido nas instalações da PJ e será hoje sujeito a interrogatório. Só depois MP se pode pronunciar e aplicar medida de coacção: a mais grave é a prisão preventiva
Apesar de estar a ser acusado no Brasil pela morte de Rosalina Ribeiro, Duarte Lima acabou por ser detido em Portugal no âmbito de um outro caso. O advogado e ex-deputado do PSD foi detido...
Um segredo tem quase sempre vida curta. Quando os inspectores da Polícia Judiciária chegaram com os procuradores do Departamento de Investigação e Acção Penal (DCIAP) à casa de Duarte Lima na Avenida Visconde Valmor, em Lisboa, o advogado e ex-deputado do PSD não ficou surpreendido. Uma fuga de informação de fonte ligada à investigação retirou todo o efeito surpresa. A notícia da detenção chegou aos jornalistas ainda durante a madrugada de quinta-feira e até Duarte Lima terá tido direito a aviso prévio de que iria ser detido.
O mandado de detenção que chegou às suas mãos invocava “perigo de fuga” mas, horas antes de o receber, Duarte Lima já sabia que a sua casa e escritório, situado no mesmo edifício, seriam alvo de buscas.
A quebra de sigilo e o aparato mediático em torno da detenção e da operação de buscas num processo que ainda está em segredo de justiça suscitou críticas do procurador-geral da República, Pinto Monteiro. “Deviam ser feitas buscas discretamente, para respeitar a privacidade do cidadão e não com este aparato televisivo. Infelizmente não estão a ser feitas como eu pedi.”
Fonte da PJ garantiu ao i que a fuga de informação não partiu da Judiciária, até porque, neste caso, a divulgação prévia da detenção punha seriamente em risco toda a investigação dos inspectores e Ministério Público.
Duarte Lima deixou a sua casa pelas 15h e seguiu para as instalações da PJ, onde já se encontrava o filho, Pedro Lima, detido durante a manhã. O advogado foi constituído arguido por suspeitas de crimes de burla agravada, fraude fiscal e branqueamento de capitais no âmbito de uma investigação do DCIAP, coordenada pelo procurador Rosário Teixeira, e relacionada com o caso BPN.
Em causa está um negócio de compra de 35 terrenos em Oeiras, em 2007, por um fundo financiado pelo BPN. O Banco Português de Negócios disponibilizou naquela data 60 milhões de euros ao fundo Homeland – de que eram sócios Pedro Lima, filho de Duarte Lima, Vítor Raposo, ex-deputado do PSD e actual sócio de uma empresa com Duarte Lima, e ainda o fundo de pensões do próprio banco – para a compra de terrenos em Oeiras, junto às imediações do espaço onde deveria ser construído o novo Instituto Português de Oncologia de Lisboa. O BPN acabaria por ser lesado em cerca de 44 milhões de euros (ver texto ao lado).
O primeiro interrogatório a Duarte Lima será dirigido, hoje de manhã, pelo juiz de instrução Carlos Alexandre – que ontem também acompanhou as buscas à casa e ao escritório do advogado – no Tribunal Central de Instrução Criminal. Mediante o depoimento de Duarte Lima e as provas recolhidas durante as buscas às residências do antigo deputado do PSD em Lisboa e na Quinta do Lago, no Algarve, caberá ao Ministério Público pronunciar-se e decidir qual a medida de coacção a aplicar: a mais grave é a prisão preventiva.
Raul Soares da Veiga, advogado de Duarte Lima, explicou que o ex-deputado iria passar a noite detido porque ainda estariam “a decorrer diligências no país, nomeadamente Porto e Algarve” e aguardavam-se “os resultados para fazer o interrogatório”, o que deveria acontecer “num prazo máximo de 48 horas”.
Veiga aproveitou ainda para criticar o “perigo de fuga” usado como justificação no mandado de detenção: “Duarte Lima sempre esteve no lugar da sua residência e domicílio profissional. Está no sítio onde tem a sua vida, os contactos sociais e a sua família. Não há nada que leve a pensar que há algum perigo de fuga.”
Perante um crime de branqueamento de capitais, Duarte e Pedro Lima podem incorrer numa pena até 12 anos de prisão.
Este é um dos 17 processos relacionados com o caso do Banco Português de Negócios ainda em investigação. Em declarações ao “Expresso”, Cândida de Almeida, directora do DCIAP, admite a hipótese de este processo poder vir ainda a “envolver alguns responsáveis do BPN a título de co-autoria”.


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