Mário Figueiredo realça que há “várias contradições, meias verdades e insinuações” sobre suspensão da rubrica
Para o provedor do ouvinte da Antena 1 a decisão de acabar com a crónica de opinião “Este Tempo” resultou de um acto “ilícito, prepotente e arrogante”. Mário Figueiredo foi ontem ouvido na comissão parlamentar para a Ética, Cidadania e Comunicação.
“Considero que tudo indica que houve um acto prepotente e arrogante por parte de quem tinha decisão de acabar com o programa. Se isto configura um acto ilícito, estou convencido que sim”, realçou Mário Figueiredo.
No decorrer da sexta audição sobre o caso Rosa Mendes, o provedor apontou também “várias contradições, meias verdades e insinuações” nos depoimentos feitos à comissão parlamentar, que contribuem para a suspeição sobre os motivos da suspensão do programa. No entanto Mário Figueiredo acrescentou estar convicto de que não houve intervenção da tutela, nem da administração para o fim do programa. Contudo, frisou que “Este Tempo” terminou de “forma atabalhoada” e que o facto de se tratar de uma estação de serviço público obrigaria a outra atitude. “A direcção tem toda a legitimidade para tomar decisões, mas o tempo e a forma como o faz obrigaria a outra ética, mais adequada à função do serviço público”, sublinhou. Acrescentando ainda que “nada indiciava que os contratos dos cronistas não seriam renovados”, Mário Figueiredo adiantou ainda que quando começou a receber queixas dos ouvintes sobre o fim da rubrica e a alegada censura aos cronistas decidiu procurar esclarecimentos “junto de quem pensava que os podia dar”, dirigindo-se ao director-geral da RTP, Luís Marinho que inicialmente se disponibilizou para dar as respostas necessárias, mas pouco tempo depois resolveu delegá-las ao então director de informação da Antena 1, João Barreiros.
“Suspensão de “Este Tempo” foi devido à crónica de Rosa Mendes” Ricardo Alexandre, ex-director adjunto de informação da RDP, afirmou nesta terça-feira na comissão parlamentar para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, que João Barreiros o informou que o programa “Este Tempo” era suspenso por causa da crónica de Pedro Rosa Mendes sobre Angola. “Não tenho nenhum dado que me permita levantar suspeitas sobre a interferência da tutela e nunca falei na administração da RTP. Limitei-me a justificar aos cronistas o fim do programa com a justificação que me foi dada pelo João Barreiros, ou seja, de que Luís Marinho não queria renovar os contratos por causa daquela crónica de Rosa Mendes sobre Angola”, declarou. Com Lusa



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