Na mensagem de Natal ontem divulgada, Cavaco Silva deixa prognóstico ensombrado para o ano que se aproxima e apela à solidariedade
A crise teve ontem o papel central na mensagem natalícia que o Presidente da República dirigiu aos portugueses. Cavaco Silva desejou a todos um ano de 2012 “tão bom quanto possível”, admitindo que a hora actual não permite esquecer os “cuidados redobrados do dia de amanhã” e que esta quadra vai ser vivida “com a preocupação da crise”.
O chefe de Estado, que há pouco tempo marcou uma forte oposição ao corte dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos – ficou célebre a expressão: “Há limites ao sacrifício que se pode pedir às pessoas” – antevê um ano duro para os portugueses. Uma perspectiva do Presidente numa altura em que tem para aprovação o Orçamento do Estado para 2012. A redacção final do documento foi ontem aprovada na Assembleia da República e o Presidente da República terá, até ao final do ano, de decidir sobre a sua promulgação.
Na mensagem, gravada ao lado da mulher, Cavaco mostrou a convicção que “os portugueses estão determinados a lutar por um futuro melhor”. No vídeo, publicado na página oficial da Presidência da República, Cavaco lembra que o Natal é “a festa da família” e que é precisamente na família que os portugueses podem encontrar os afectos que lhes dão força, a solidariedade que precisam nas horas difíceis e as alegrias que ajudam “a atravessar a vida”.
Para o chefe de Estado, em tempos de crise a solidariedade deve ser redescoberta e o papel da família é também esse: “Na família aprendemos a respeitar o outro, aprendemos os gestos que nos aproximam e nos ensinam que nenhum homem deve viver isolado, que, se dermos as mãos, vamos sempre mais longe”. A mensagem natalícia foi gravada na Galeria dos Viveiros em Cascata do Palácio de Belém, junto à exposição de presépios em barro do mestre José Franco.
Ao lado do Presidente da República, Maria Cavaco Silva retomou a ideia da solidariedade, sublinhando que “vamos precisar muito uns dos outros”. As dificuldades vão prolongar-se e por isso “é necessário que o espírito solidário do Natal perdure para lá destes dias de boa vontade e de partilha”, lembrou, fazendo votos “que as dificuldades não tenham força para nos afastar do essencial”.
A mensagem de boas-festas antecede a mensagem que o primeiro-ministro vai fazer no dia de Natal. Também Cavaco voltará a falar, mas no primeiro dia do ano.



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