O PCP acusou hoje o primeiro-ministro de "discriminação" por se ter reunido apenas com o PS em vésperas do Conselho Europeu, considerando "incompreensível e grave" a falta de auscultação dos restantes partidos com assento parlamentar.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, reuniu-se hoje, a seu pedido, em São Bento, com o secretário-geral do PS, António José Seguro. A agenda do encontro, que ocorreu a três dias do Conselho Europeu, não foi divulgada.
O Conselho Europeu de segunda-feira é informal, não obrigando, por isso, à realização de reuniões de preparação entre o Governo e representantes dos partidos com assento parlamentar e dos parceiros sociais.
Em comunicado, o PCP considera "incompreensível e grave" a decisão do primeiro-ministro de "abdicar do dever de informação e auscultação" dos partidos, tanto mais que o Conselho Europeu em apreço "abordará questões de relevante importância para Portugal que atingem a sua soberania nacional e colidem com a própria Constituição".
Os comunistas sustentam que tem sido "uma prática consolidada ao longo dos sucessivos governos" a "informação prévia da agenda e do projeto de conclusões do Conselho Europeu" aos partidos com assento parlamentar, "independentemente do caráter formal ou informal das reuniões do Conselho Europeu".
O PCP repudia ainda o facto de Pedro Passos Coelho só se ter reunido com o representante do PS, classificando o ato como uma "discriminação" e "expressão indisfarçável de comprometimento que une PS, PSD e CDS na concretização do pacto de agressão [pacto de disciplina orçamental europeu], que arrasta o país para o declínio e empobrece os trabalhadores".



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