O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, terá algumas revervas sobre a nomeação, devido à falta de ligação à área da cultura
Depois de ter sido dado como possível candidato à concelhia do PSD/Porto, Paulo Rangel é agora apontado como um dos possíveis nomes para ocupar o cargo de administrador delegado do conselho de administração da Casa da Música (CdM), exercido actualmente por Nuno Azevedo, que já manifestou não ter disponibilidade para continuar no final do actual mandato que agora termina.
Fontes próximas do processo dão conta ao i da existência de movimentações no interior do PSD no sentido de lançar o nome do eurodeputado para o lugar de administrador executivo do conselho de administração da CdM. Uma hipótese que seria encarada com agrado pela câmara do Porto, uma das entidades com lugar assente no conselho de fundadores, o órgão responsável pela nomeação do conselho de administração da instituição. Depois de ter manifestado publicamente o desejo de uma candidatura por parte do eurodeputado à concelhia portuense, sem que Rangel tenha respondido afirmativamente, Rui Rio vê agora a administração da CdM como o palco ideal para lançar Rangel à Câmara do Porto a dois anos das eleições autárquicas, numa tentativa de travar a candidatura mais do que provável do arqui-rival Luís Filipe Menezes.
As informações já chegaram inclusivamente aos ouvidos do secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, durante o último encontro do conselho de fundadores, que, no entanto, terá manifestado algumas reservas quanto ao nome de Paulo Rangel, uma personalidade com um valioso currículo político e académico, mas sem qualquer ligação e experiência na área da cultura.
Santos Silva de saída Certo é que, como já garantiu Nuno Azevedo, haverá uma renovação do conselho de administração, actualmente presidido por José Manuel Dias da Fonseca, e que se estenderá, ao que tudo indica, ao conselho de fundadores, presidido por Artur Santos Silva, mas cujo cargo o chairman do Banco Português de Investimento (BPI) deverá abandonar, depois de na semana passada ter sido nomeado sucessor de Rui Vilar na administração da Fundação Gulbenkian.
O próximo conselho de administração da Casa da Música, que deverá ser conhecido em Março, mês em que o conselho de fundadores se volta a reunir, terá o desafio de gerir a instituição que no próximo ano sofrerá um corte de 20% na transferência anual do Estado, o que vai implicar, segundo afirmou Nuno Azevedo, uma revisão nos nossos planos de programação, não estando previstos, no entanto, quaisquer despedimentos de pessoal.
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