Miguel Macedo fechou um ciclo na PSP: Guedes da Silva e o número dois, Jorge Barreira, eram os últimos elementos do Exército na polícia
Miguel Macedo quer fechar um ciclo na PSP: o director nacional ontem exonerado, Guedes da Silva, e o seu número dois, Jorge Barreira, eram os últimos dois elementos do Exército na polícia.
Depois de, na quarta-feira passada, o ministro ter recebido uma carta subscrita por 29 superintendentes – que alertavam para uma situação “insustentável” no interior da PSP –, Miguel Macedo decidiu exonerar Guedes da Silva, que ocupava as funções de director-nacional desde Março do ano passado. O ex--director nacional não estava à espera da decisão do ministro. Miguel Macedo, sabe o i, mandou chamar o superintendente-chefe ontem à tarde, com o único propósito de lhe anunciar a sua demissão. De manhã, o director nacional tinha estado num programa da RTP e preparava-se para, à noite, participar no “Prós e Contras”, onde já não compareceu.
A carta escrita pelos 29 superintendentes terá mesmo sido a gota de água para Miguel Macedo, que optou por retirar a confiança política a Guedes da Silva. Outra das razões que terão sido determinantes para a decisão do ministro, garante uma fonte ouvida pelo i, foram algumas declarações do director nacional na entrevista de ontem à RTP.
número dois preterido Para chefiar a PSP, o ministro não escolheu o número dois da polícia, mas sim o número três, Paulo Jorge Valente Gomes – que ocupava o cargo de director nacional adjunto para a Unidade Orgânica de Recursos Humanos (e um dos poucos superintendentes que não subscreveram a carta).
Assim, é pouco provável que Jorge Barreira, que é superintendente-chefe e ocupa o cargo de director nacional adjunto para a Unidade Orgânica e Operações de Segurança, se mantenha na direcção da polícia. “É o encerrar de um ciclo na PSP e é evidente que não tem condições para continuar quando é preterido em relação ao número três”, explicou ao i fonte ligada à direcção nacional.
Por outro lado, nomear um superintendente será uma decisão bem acolhida pelos superintendentes – que têm mostrado desagrado em relação ao ambiente vivido dentro da PSP.
O novo director Valente Gomes foi o primeiro classificado do primeiro curso de oficiais da polícia. Trabalhou no Ministério da Administração Interna (MAI), ligado ao conselho europeu para a violência no desporto, e fez a ligação entre a UEFA e o governo português no Euro 2008, na Suíça. Além disso, já foi director do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna.
Chegado ao cargo de director nacional, Valente Gomes tem pela frente vários desafios. A PSP enfrenta uma das suas piores fases, com vários problemas por resolver: da questão da progressão nas carreiras – cerca de 150 oficiais estão em regime de gestão corrente – ao problema dos estatutos, passando pelas recentes manifestações sindicais.
As reacções Ontem ao final do dia as reacções à exoneração sucederam-se. Helder Andrade, do Sindicato de Oficiais da PSP, diz que a decisão do ministro “só peca por ser tardia”. Peixoto Rodrigues, do Sindicato Unificado da PSP, acredita que depois da carta enviada pelos superintendentes ao MAI Miguel Macedo “não tinha alternativa” que não a exoneração e recorda que existe na polícia “uma grande instabilidade, por questões que vão além do dinheiro”. António Ramos, do Sindicato dos Profissionais da Polícia, garante que a decisão não surpreende. “Já era esperado, o descontentamento era enorme. Destabilizou-se a polícia”, garante.
Com Sílvia Caneco



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