BPN- banco
D.R.BE queria inquérito ao processo de gestão do BPN pela CGD e à venda ao banco angolano BIC
A maioria vai chumbar a criação de uma comissão eventual de inquérito à gestão do BPN pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) após a nacionalização do banco e à sua reprivatização, uma proposta feita pelo BE. “Vamos votar contra. O PSD não é contra uma eventual comissão sobre o que se passou em todo este processo mas não neste timing”, justifica ao i o deputado social-democrata Hugo Velosa.
A concretização da venda do BPN ao banco angolano BIC “está prevista até ao fim de Março” e por isso o PSD considera que este não é o melhor momento para uma comissão de inquérito. “Depois do processo terminado podemos analisar a situação”, afirma o deputado.
Já o CDS-PP é o único partido que ainda não revelou uma posição oficial. Mas fonte da direcção da bancada centrista afirma ao i que esta questão não dará azo a uma cisão no seio da coligação, pelo que os centristas deverão optar entre o voto contra e a abstenção. Recorde-se, no entanto, que entre 2008 e 2009 houve uma comissão de inquérito proposta pelo CDS sobre a situação que levou à nacionalização do BPN e sobre a supervisão bancária inerente. “Não será pelo CDS que, se voltar a haver factos que o justifiquem, não voltará a haver uma comissão de inquérito ao BPN”, afirmou o deputado centrista João Almeida.
Apesar do chumbo à comissão de inquérito, os partidos vão aprovar o projecto de deliberação do PCP que pede uma auditoria ao Tribunal de Contas aos processos do BPN e do BPP.
Outra das justificações da maioria para não aprovar já esta comissão de inquérito é a de esperar pelos resultados da auditoria. Segundo fonte da direcção da bancada do PSD, só depois da auditoria se poderá perceber se “há indícios de algo menos claro”. “Nestes três anos passaram-se coisas muito estranhas na gestão do BPN”, admite o deputado Hugo Velosa.
Além do BE, também PCP e PS apoiam a criação desta comissão de inquérito. “Tudo o que possa contribuir para o esclarecimento deste processo, que tem vertentes ainda obscuras, merece o nosso empenho, a nossa viabilização”, afirmou o líder parlamentar socialista, Carlos Zorrinho.
Para o BE, “a dimensão deste enorme buraco financeiro, que ultrapassa os cinco mil milhões de euros vindos do Estado”, obrigam a um “dever acrescido de informação e esclarecimento” por parte do governo e da Caixa Geral de Depósitos (CGD) “que tem sido completamento ignorado e esquecido”, considerou o deputado bloquista, João Semedo, na altura da entrega da proposta no parlamento.
As propostas do BE e PCP vão ser discutidas hoje e votadas amanhã na Assembleia da República, mas terão destinos diferentes. A primeira será chumbada pela maioria e a segunda será aprovada por unanimidade. Sónia Cerdeira



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