O líder do BE, Francisco Louçã, lamentou hoje a "falta de espessura e estatura" para resolver os problemas das pessoas demonstrada pelos governantes portugueses, considerando que existe uma "gravíssima crise de confiança" em quem tem mais poder.
"Os portugueses percebem que deste Governo ou de quem preside ao país, temos uma gravíssima crise de confiança: quem tem mais poder neste país é quem mais pensa em si próprio e menos pensa nos outros", afirmou Francisco Louçã, quando questionado sobre o primeiro aniversário da reeleição de Cavaco Silva para a Presidência da República.
E, acrescentou, esse "é o mais grave dos problemas de confiança", pois demonstra que "falta espessura, falta estatura aos governantes" portugueses para resolverem os problemas das pessoas.
Ainda a propósito da reeleição do Presidente da República para a chefia do Estado, que aconteceu a 23 de janeiro de 2011, o líder do BE assinalou que o início do segundo ano do segundo mandato de Cavaco Silva está já muito marcado pelas declarações que fez na sexta-feira sobre as suas pensões, "que são contraditórias com a sua campanha eleitoral".
"Na campanha eleitoral Cavaco Silva pediu o voto dos portugueses lembrando aos reformados que tinha sido ele a decidir na altura em que era primeiro-ministro o estabelecimento do 14º mês pago aos reformados", lembrou Francisco Louçã, que falava aos jornalistas à saída de uma reunião com a presidente do Instituto de Segurança Social.
Apesar disso, continuou Francisco Louçã, o chefe de Estado "não teve nenhum pejo em assinar um Orçamento de Estado que retirava o subsídio de Natal e o subsídio de férias a todos os reformados com pouco mais de 600 euros" e queixa-se "que com 10 mil euros não consegue pagar as suas contas".
"Um presidente, que acha que com 10 mil euros não pode pagar as suas contas, não se coíbe de assinar um Orçamento que o Governo lhe apresentou para tirar a quem tem 600 euros por mês, dois meses do seu salário para o qual descontou a vida inteira", frisou.
Antes, Francisco Louçã, em declarações à entrada para a reunião com a presidente do Instituto de Segurança Social, já tinha condenado o "enorme desprezo" pelas dificuldades das pessoas que demonstra quem governa e preside ao país, que revelam "impreparação" para desempenharem os cargos que ocupam.
"O mais importante da política portuguesa é que todos percebemos que quem decide sobre o país, quem governa e quem preside ao país, tem um enorme menosprezo pelas dificuldades das pessoas e pela vida das pessoas", declarou.



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