O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu hoje que o país tem de criar riqueza para evitar um novo resgate, considerando que se tal não suceder será “inevitável” mais ajuda internacional.
“Sem criarmos mais riqueza, se estivermos virados para a ideia fatalista de mais recessão, de mais desemprego, inevitavelmente, vamos ficar pior em 2012 não para ficar melhor em 2013, vamos ficar piores em 2012 para ficar piores em 2013 caso não haja uma rutura com esta caminhada para o desastre”, afirmou Jerónimo de Sousa numa conferência de imprensa no Funchal.
Hoje, o diário financeiro norte-americano Wall Street Journal escreve que investidores e políticos temem que Portugal possa precisar de um novo resgate internacional num artigo que cita um relatório do Instituto de Finanças Internacional, segundo o qual a viabilidade de Portugal regressar aos mercados financeiros no próximo ano é "problemática".
"Com as taxas de juro sobre as obrigações do Tesouro português ainda acima dos 12 por cento, apesar de descidas recentes, parece improvável que se concretize [o regresso aos mercados], mesmo que as metas orçamentais sejam cumpridas", refere o jornal.
O secretário-geral do PCP referiu a este propósito que “a economia tem leis”.
“Quando nós lemos um Orçamento de Estado para 2012 em que o próprio Governo reconhece que vai haver mais recessão e mais desemprego, naturalmente se com essas medidas que estão previstas nesse Orçamento de Estado a perspetiva do crescimento económico, do desenvolvimento da nossa produção e do nosso aparelho produtivo não se verificar, ou seja, se não criarmos mais riqueza, inevitavelmente o agravamento do défice e da dívida acontecerá e essa possibilidade de mais um novo resgate, que será mais uma corda apertada no pescoço do nosso país, do nosso povo, será mais ou menos inevitável”, acrescentou.
Para o líder comunista, “a alternativa não é pedir mais empréstimos”, mas antes “criar mais riqueza” e “confiar nas capacidades” do país.
“Portugal não é um país pobre, tem potencialidades imensas”, declarou Jerónimo de Sousa, apontando os vários setores de atividade e convicto de que Portugal está em “condições de sair desta situação dramática” em que se encontra.



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