O secretário-geral do PCP afirmou hoje que a greve geral está a ter uma "participação extraordinária", sendo "uma jornada memorável" de luta contra "a maior ofensiva" aos direitos dos trabalhadores desde o 25 de Abril.
"Em milhares de empresas e locais de trabalho, milhões de trabalhadores expressaram hoje um combativo Não! ao Pacto de Agressão, numa jornada memorável em defesa dos direitos dos trabalhadores e de um Portugal desenvolvido e soberano", diz Jerónimo de Sousa, numa declaração enviada aos meios de comunicação social a propósito da greve geral convocada para hoje pelas duas centrais sindicais, CGTP e UGT.
Para o líder dos comunistas, a "extraordinária participação verificada é tão mais valorizável quanto foi construída sob uma crescente pressão, repressão e chantagem".
"Esta greve geral constitui uma derrota para a campanha ideológica que procura apresentar a política de retrocesso como inevitável e a luta como inútil; uma derrota para a chantagem da imposição de serviços mínimos ilegítimos que procura condicionar o direito à greve e para o recurso ilegal às forças de segurança -- PSP e GNR -- para dar cobertura à violação do direito à greve", acrescenta.
Jerónimo de Sousa diz que a adesão à paralisação é ainda "uma vitória sobre o condicionamento económico, as ameaças de despedimento, perda de remunerações e prémios, a repressão e intimidação, designadamente sobre os trabalhadores com vínculo precário", considerando que o protesto, que decorre desde a meia-noite, está a ser "uma grande demonstração de força" e "uma poderosa resposta à maior ofensiva desde os tempos do fascismo".
"Num país marcado por mais de 35 anos de política de direita, sujeito ao processo de integração capitalista da União Europeia, vítima da natureza do capitalismo e da sua crise, a greve geral expressou uma firme e ampla exigência de rutura com a atual situação", conclui o secretário-geral do PCP, que destaca a "dimensão nacional" que a paralisação alcançou e o impacto que teve no "setor produtivo".
Jerónimo de Sousa diz ainda que houve uma "grande resposta" por parte dos "trabalhadores da administração pública central e local com paragens que atingiram níveis históricos", nomeadamente em serviços como a recolha de lixo ou o encerramento de centenas de escolas.
"Submetidos aos interesses do grande capital e às imposições das grandes potências da União Europeia, o Governo, os partidos que apoiam o Pacto de Agressão [o acordo da ajuda externa], o Presidente da República que patrocina a atual política, receberam hoje uma inequívoca e firme condenação", afirma o líder comunista, que termina com um apelo à participado na nova "jornada de luta" que terá lugar na próxima quarta-feira, "frente à Assembleia da República", no dia da votação final global do Orçamento do Estado para 2012.
A greve geral convocada para hoje em Portugal pela CGTP e UGT, para protestar contra as medidas de austeridade decretadas pelo Governo, está a "registar forte adesão", de acordo com informações transmitidas pelas duas centrais sindicais.
Já o Governo garantiu que a adesão na Administração Pública se situava nos 3,6% às 11:30.



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