O dirigente do PCP Francisco Lopes considerou hoje ser necessário "este sobressalto físico", comentando a greve geral a nível nacional e a manifestação em Lisboa, na qual está a participar.
"É necessário este sobressalto físico capaz de mudar Portugal e assegurar um caminho diferente", afirmou o antigo candidato à Presidência da República à Lusa, defendendo que o rumo para o país terá de estar "vinculado a abril".
Para o comunista, as políticas atuais estão a "agravar a situação e a empobrecer o povo".
"Haverá sempre novas justificações para impor mais sacrifícios aos trabalhadores e ao povo", lamentou.
Caracterizando a greve geral de hoje, Francisco Lopes diz ser um "protesto, mas acima de tudo um ato de construção de um futuro diferente e melhor".
A greve geral convocada para hoje em Portugal pela CGTP e UGT, para protestar contra as medidas de austeridade decretadas pelo governo, está a "registar forte adesão", de acordo com informações transmitidas pelas duas centrais sindicais.
Nos grandes centros urbanos como Lisboa e Porto, autocarros e metropolitanos estão praticamente paralisados, havendo também fortes constrangimentos nas ligações ferroviárias a nível do país. A TAP cancelou mais de uma centena de voos.
Durante a primeira metade do dia registaram-se alguns incidentes, designadamente com o arremesso, por desconhecidos, de "cocktails molotov" e latas com tinta contra três repartições de Finanças em Lisboa. A GNR foi também chamada a intervir junto de piquetes de greve que tentavam impedir a circulação de comboios em Anadia e Penafiel. A PSP teve de afastar piquetes de greve que bloqueavam a circulação de autocarros, nomeadamente junto à saída da estação da Carris na Musgueira, em Lisboa.
Além dos transportes, os efeitos da greve geral, a segunda conjunta convocada por CGTP e UGT, estão também a fazer-se sentir junto de escolas, hospitais e centros de saúde, tribunais, autarquias e outras repartições do Estado, afetando ainda alguns setores privados, em especial na indústria.
Segundo dados divulgados pelo Governo, a taxa de adesão à greve geral na Administração Pública era de apenas 3,6 por cento às 11:30 horas.
De acordo com a informação disponível na página da Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), às 11:30, de um total de 355.305 trabalhadores, 12.800 estavam em greve.
À mesma hora, de um total de 864 serviços desconcentrados ou periféricos da Administração Pública, 112 estavam encerrados devido à greve geral, o que corresponde a uma percentagem de 12,96 por cento.



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