Os maquinistas da CP resolveram avançar com a greve para os dias 23, 24 e 25 de Dezembro. Os sindicatos não chegaram a acordo com a administração da empresa e com o...
Sindicato criou fundo solidário para compensar perdas salariais com litígios e greves dos maquinistas
Os maquinistas da CP resolveram avançar com a greve para os dias 23, 24 e 25 de Dezembro. Os sindicatos não chegaram a acordo com a administração da empresa e com o...
Após o protesto que parou cerca de 2 mil comboios durante a quadra natalícia, os maquinistas da CP preparam uma nova paralisação para a passagem de ano. No caso dos maquinistas da CP ou do metro, aderir à greve não é um dilema que se resolve em função de quanto se vai perder com menos um dia de salário. Qualquer maquinista português pode aderir tranquilamente à paralisação porque no fim tem a garantia de que o seu vencimento será pago por inteiro. Não se trata de uma benesse da administração, mas de um fundo de greve que o sindicato criou em 1980 para reembolsar parte do salário perdido em paralisações ou impasses entre funcionários e empresas que se arrastam nos tribunais.
Sabendo à partida que a última greve contou com a participação dos 1200 maquinistas da CP sindicalizados (98%), a próxima paralisação deverá rondar os mesmos números. Só que ainda não há decisões definitivas e tudo depende da reunião que acontece esta tarde entre a administração e sindicato. Se, mais uma vez, as negociações resultarem num novo impasse, é mais que certo que os comboios vão paralisar entre o meio-dia de 31 de Dezembro e as 12 horas do dia 2 de Janeiro. São 24 horas de paralisação, mas fica-se sem conhecer, por exemplo, o que isso representa para o sindicato, uma vez que terá de compensar os grevistas. Calcular o valor dos reembolsos para a última greve é uma estimativa difícil, explica ao i António Medeiros, dirigente do Sindicato dos Maquinistas (SMAQ): “Não tenho valores porque estes cálculos são feitos em função dos descontos que a empresa pratica sobre as horas que cada funcionário deveria ter estado a trabalhar, o que implica equacionar turnos, horas de descanso e serviços mínimos.”
O fundo de solidariedade e greve não é prática corrente em Portugal. Além dos maquinistas, só o Sindicato dos Pilotos tem o mesmo modelo. Ou seja, os grevistas são reembolsados pela perda salarial por aderirem à greve, mas, por outro lado, descontam o dobro para os cofres do sindicato. Em vez do habitual 1% do salário, desembolsam todos os meses 2% do vencimento para poderem vir a beneficiar desta regalia sindical.
O fundo, segundo o Sindicato dos Maquinistas, já permitiu sustentar, por exemplo, três maquinistas da Fertagus com litígios que se prolongaram por mais de oito anos. Acima de tudo, reconhece António Medeiros, essa foi a verba que permitiu aos maquinistas “aguentar tantos dias de greve”.
O SMAQ é um sindicato independente que representa 98% dos maquinistas da CP e 90% dos maquinistas da Metro do Porto.


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