Igreja distancia-se da tolerância de ponto na véspera de Natal e na Quinta-Feira Santa
rodrigo cabritaA dois meses da Páscoa está por saber se o governo dará a habitual tolerância de ponto na tarde de Quinta-Feira Santa. Bispos sem reservas
Igreja distancia-se da tolerância de ponto na véspera de Natal e na Quinta-Feira Santa
rodrigo cabrita
As tolerâncias de ponto habitualmente concedidas no Natal e na Páscoa não são indispensáveis, do ponto de vista da Igreja Católica. Depois do Carnaval, a Páscoa é a data que se segue no calendário a exigir mais uma decisão sobre tolerância de ponto – até agora concedida na tarde de Quinta-Feira Santa –, que o governo ainda não tomou. É a festa mais importante para os católicos, mas os bispos contactados pelo i estão abertos à mudança.
“A preocupação da Igreja é que o Natal e a Páscoa sejam dias feriados”, defende ao i D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga. Quanto à tolerância de ponto que costuma ser concedida nos dias que antecedem esses feriados, “a questão deve ser alvo de discussão na sociedade, na procura do bem comum”, argumenta o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, deixando a Igreja à margem de qualquer decisão.
“A Igreja não toma posição oficial”, garante ainda Manuel Morujão, considerando normal que apareçam “uns a dizer que para uma boa qualidade do trabalho deve haver tempo de descanso, outros que é necessário neste momento difícil mais trabalho e esforço”. Mas “não se espere que a Igreja manifeste uma posição a favor ou contra a tolerância de ponto nas vésperas de Natal e da Páscoa”, acrescenta.
Também o prelado da diocese de Beja, D. Vitalino Dantas, assegura que “a Igreja não seria nem a favor nem contra”, até porque “a tolerância de ponto na véspera do dia de Natal e na Quinta-Feira Santa nem sempre é entendida como tempo para uma melhor preparação das festas religiosas. Tem mais a ver com alargar o tempo livre”, argumenta.
D. Januário Torgal Ferreira salienta que, “dentro da lógica de cortes que está a ser seguida, e tendo em conta que o governo não é obrigado a atender ao aspecto religioso”, há que mostrar “flexibilidade” neste assunto. “Até porque se se vai cortar noutras datas, tem de haver coerência”, nota. O bispo das Forças Armadas não considera, no entanto, “que este tipo de cortes seja prioritário”, pois “determinadas pausas são motivadoras, do ponto de vista do descanso e da vida interior”.
Embora igualmente disponível para aceitar o fim da tolerância de ponto na véspera do Natal e da Páscoa, o bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, ressalva que é tradição que no dia 24, véspera de Natal, haja tolerância: “Pessoalmente gostaria que continuasse.”
Para D. Vitalino Dantas e D. Januário, a decisão de acabar com a tolerância de ponto no Carnaval foi tomada sem o tempo necessário para que as pessoas se adaptassem à ideia. “O Carnaval não tem nada a ver com a Igreja”, ressalva o bispo de Beja, mas “corresponde a uma cultura enraizada e as pessoas terão dificuldade em aceitar uma medida tomada a curto prazo”. “Tenho pena que a população fique privada do divertimento das suas expressões de cultura”, acrescenta.
Entretanto, nos Açores, o governo regional publicou um despacho em que concede tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval. O presidente do governo regional, Carlos César, aproveitou para, no mesmo despacho, dispensar do serviço os trabalhadores da administração pública que pretendam participar nas romarias em S. Miguel no período da Quaresma. Com Rosa Ramos


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