Rui Pêgo e João Barreiros
Agência LusaDecisão para acabar com programa foi tomada uma semana antes da crónica de Rosa Mendes
O director de programação da RDP, Rui Pêgo, garantiu ontem no parlamento que “a decisão partilhada” de acabar com o programa “Este Tempo” foi tomada no dia 11 de Janeiro. Como tal, a decisão da direcção de programação em conjunto com a direcção de informação da rádio pública foi tomada numa reunião que ocorreu oito dias antes da polémica crónica do jornalista Pedro Rosa Mendes.
João Barreiros, ex-director de informação da RDP, também afirmou na comissão parlamentar para a Ética, Cidadania e Comunicação que a decisão foi tomada no dia 11 de Janeiro e que a mesma tinha sido comunicada a “alguns elementos da redacção” que podem “testemunhá-lo”.
Durante a mesma sessão, Rui Pêgo e João Barreiros também sustentaram que o descontentamento em relação ao programa de opinião “Este Tempo” existia “quase desde o início”, ou seja, há cerca de dois anos. E, para o comprovar, o director de programação da RDP mostrou um mail enviado a João Barreiros no dia 22 de Fevereiro de 2011, no qual defendia a suspensão da rubrica. “A ideia original do programa era boa”, mas “o desempenho de alguns colunistas não era o mais desejável”, acrescentou o ex-director de informação das rádios do grupo RTP. Questionado pelo deputado do PCP, Bruno Dias, se este descontentamento era do conhecimento dos cinco colunistas que integravam o programa da rádio pública, João Barreiros garantiu que tinha informado Ricardo Alexandre, ex-director adjunto de informação da RDP, e que era este o responsável que deveria falar com os comentadores.
Sendo assim, Inês Medeiros, deputada do PS, anunciou que vai apresentar à comissão parlamentar um pedido de audição do ex-director adjunto de informação da rádio pública para prestar esclarecimentos. O director-geral de conteúdos da RTP, Luís Marinho, também foi ouvido ontem no parlamento onde garantiu que a decisão de acabar com “Este Tempo” foi tomada numa “reunião normal de trabalho” antes do dia 13 de Janeiro. Embora Luis Marinho tenha assegurado que a decisão de terminar o programa foi tomada em conjunto e que “só soube da crónica depois”, o director-geral de conteúdos afirmou que quando ouviu a rubrica de Pedro Rosa Mendes não gostou. “Não gostei de ouvir chamar palhaços ricos a angolanos, não gostei”, sublinhou. Questionando ainda: “Será que uma crónica destas seria admitida numa outra empresa que não a RTP?”
Pedro Rosa Mendes também foi ouvido sobre o assunto mas na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).



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