Escolas
D.R.“A indignação é tanta que cheguei a impedir colegas de apresentar a demissão”, diz Adalmiro Fonseca
Já estávamos habituados aos protestos dos professores contra o modelo de avaliação docente, mas o certo é que os directores também estão com muita vontade de contestar a forma como a sua avaliação está a ser conduzida pelas Direcções Regionais de Educação (DRE). Directores de escolas e de agrupamentos censuram o facto de as suas notas terem sido atribuídas sem conhecerem os critérios usados para chegar à classificação final.
O descontentamento ainda não se tornou barulhento, mas o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Adalmiro Fonseca, assegura “nunca” ter tido a caixa de correio electrónico tão cheia com reclamações vindas de quase todas as regiões do país: “A única excepção é o Alentejo.”
São “largas dezenas” de cartas enviadas à associação e às DRE, redigidas por directores com vontade de desistir de tudo: “A indignação é tanta que eu próprio já impedi vários colegas de apresentarem a demissão.”
Em causa está um modelo simplificado que a tutela introduziu neste período de transição até se definir o que será implementado no próximo ciclo avaliativo. O “grande problema” – alerta o dirigente da ANDAEP – é que não houve tempo para se construir este processo que, no caso dos directores, obedece às regras da administração pública.
Os directores das escolas elegeram “à pressa” conselhos coordenadores de avaliação para as cinco regiões, mas a maioria “nem sequer definiu os elementos de avaliação”, critica Adalmiro Fonseca. Cada avaliado enviou à DRE da sua área geográfica um relatório de auto-avaliação redigido segundo os seus próprios critérios, destacando como linhas orientadoras o desempenho em três vertentes – liderança e visão estratégica; gestão pedagógica e administração escolar e, por fim, projecto institucional da organização.
“Pela percepção que tenho através das queixas que foram chegando à associação, a maioria dos directores foi avaliado com nota qualitativa de Adequado”, conta o líder da ANDAEP, deixando claro que não se trata de uma revolta contra a avaliação mas contra o método: “Ninguém faz ideia que critérios foram usados pois as direcções regionais não forneceram qualquer informação ou esclarecimento, limitando-se a dar a nota e a pedir pareceres às comissões de avaliação para as menções mais baixas e mais altas.”
Neste momento, a avaliação dos órgãos de gestão das escolas está na fase de recurso, mas o processo para os cerca de mil directores tem de estar concluído até ao fim do mês, à semelhança do que acontece com os professores.



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