Empresas públicas de transportes concedem mordomias inconcebíveis aos trabalhadores
Pedro AzevedoIrmãs solteiras de empregados da CP podem viajar de borla. As irmãs casadas já não
Empresas públicas de transportes concedem mordomias inconcebíveis aos trabalhadores
Pedro Azevedo“A empresa [Carris] manterá uma barbearia devidamente apetrechada, para uso privativo de todo o seu pessoal, inclusive reformados.” Este é um pequeno exemplo dos fardos históricos que alguns Acordos de Empresa do sector empresarial do Estado carregam consigo e que têm impedido reestruturações mais aprofundadas que as que têm vindo a ser feitas – especialmente na Carris.
As empresas do Estado, tal como o i noticiou quinta-feira, apresentam um risco potencial para o Orçamento do Estado – vulgo contribuintes – superior a oito mil milhões de euros. Ainda assim, estas empresas mantêm regalias aos trabalhadores dignas de um Bill Gates.
Segundo os acordos de empresa em vigor, tanto na CP, Metro, Carris ou Transtejo, são pagos prémios por cada dia de trabalho concluído – além do salário –, ou mesmo subsídios de 230 euros mensais caso o trabalhador não falte nenhum dia num mês. Valores que acrescem ao salário e acabam a contar para subsídios de Natal e férias. Por falar em férias: os trabalhadores da Carris têm direito a 30 dias de descanso anual - além do direito a tirar um dia por mês para assuntos pessoais -, assim como os do Metro de Lisboa. Nesta última, porém, é preciso cumprir requisitos: se faltar só uma vez no ano anterior e gozar férias fora da época alta, tem então 30 dias.
Ainda nestas transportadoras, há outras regalias que chegam aos reformados, isto além da barbearia da Carris. Tanto a Carris como o Metro pagam complementos de reforma aos seus ex-trabalhadores, de forma a que a pensão seja igual à do último salário recebido no activo – algo que também ocorre nos STCP. Se acha que há um limite a este complemento, desengane-se: há reformados que apesar de terem pensões acima de quatro e cinco mil euros mensais, continuam a receber complementos de reforma pagos pelas empresas, segundo apurou o i - tal situação, contudo, não ocorre nos STCP, cujos complementos estão limitados.
Baixas a 100% Segundo os AE, o absentismo de longa duração parece compensar nas empresas de transporte. Quando um trabalhador fica de baixa, tem direito a receber não só o subsídio de doença como o empregado comum, mas também um complemento de baixa pago pela empresa, de forma a que mesmo de baixa o vencimento mensal seja 100% do que recebia no activo. Ou seja, a empresa compensa o que o Estado penaliza – nos primeiros 90 dias de baixa um trabalhador comum recebe apenas 65% do vencimento.
Mas além do salário normal que recebem por trabalhar, há também vários subsídios pagos por estas empresas para premiar quem aparece ao trabalho (ver ao lado com mais detalhe). É maquinista? Então tem direito a um subsídio por cada quilómetro percorrido, isto além do salário. E caso não falte mais de cinco horas no mês, também tem direito a um prémio de 68 euros no mês seguinte. Não faltou no mês todo? Então tome lá um prémio de 223 euros este mês – tudo exemplos retirados dos AE das empresas.
Irmã solteira? Ela que venha A complementar tudo isto, surgem as regalias mais comuns neste tipo de empresas, ainda que alargadas. Na generalidade das empresas de transporte os empregados e reformados, além das respectivas famílias podem viajar gratuitamente. Por famílias entende-se não só cônjuges, como os pais, filhos, enteados e mesmo eventuais irmãs solteiras que os trabalhadores tenham, como no caso da CP.
Só a Refer, onde os trabalhadores que transitaram da CP têm direito a este benefício, gasta perto de 4 milhões de euros por ano em viagens que os seus colaboradores usufruem gratuitamente.
Até ao buraco A diferença entre as regalias concedidas aos trabalhadores e os prejuízos que vão provocando aos contribuintes, são abissais nestas empresas. Só no ano passado, a CP, Metro de Lisboa e a Carris registaram perdas totais de quase 390 milhões de euros, tendo visto os capitais próprios afundar ainda mais: estas mesmas três empresas estão em falência técnica e com um buraco latente de mais de 3,5 mil milhões de euros.


Comentários
Sr. Filipe Cardoso,
Conforme já mencionado é lamentável fornecer noticias erradamente para o público.
No caso concreto da Carris, devia previamente V. Ex.ª ter-se informado sobre os 30 dias de férias como indica. De facto são 30 dias, mas não informa os leitores de que esses 30 dias contam seguidos, i.e., contam sábados, domingos e feriados (sim feriados também contam como dias de férias). Escrevo com conhecimento dos factos por ser funcionário desta empresa há mais de 30 anos.
No mês de Agosto do ano em curso, o dia 15 foi a uma segunda-feira. Quem estava de férias nesta data, o feriado contou como dia de férias. Quem opta por gozar os 30 dias seguidos, verifique que o funcionário, goza efectivamente 30 dias, mas inclui, conforme atrás mencionado, todos os dias da semana, sem excepção.
Em relação ao complemento de reforma, também não fez o trabalho de casa. Neste caso, para eventualmente os funcionários virem a usufruir, deste complemento, têm que estar no mínimo 27 anos na empresa. Se rescindir com a empresa, adeus complemento. De referir que além do que o funcionário desconta por lei para a S. Social, desconta mais 0,5% por mês, ao longo de toda a sua carreira contributiva.
Em relação às outras regalias mencionadas, convido-o a levantar o rabo da cadeira, e fazer um jornalismo credível.
Assim vai o jornalismo em Portugal feito por um monte de merdas que nem sabem o que escrevem ou o que dizem!
Sr. Filipe Cardoso
Pergunto eu que não sou Jornalista... Será verdadeiro noticiar e informar de forma errada os Portugueses?
- Os contribuintes, como catalogou, tem direito a descansos compensatórios, subs. de turno, 2 descansos por semana, não conduzem mais do que 4h30 seguidas, tem mais do 11 horas de descanso enão mudam de turno sem que tenham um descanso, não trabalham de forma desumana ao fim de semana sem condições até para as necessidades fisiológicas, não tem processos por não usar gravata ou até mesmo por não andarem com o cabelo aparado...
É Triste quando fazemos um trabalho Mediocre.... mesmo que tenha uma irmã solteira....
sr Filipe, se isto é jornalismo ,eu sem ter estudado pra tal dou lhe 10 a zero..... Um bocadinho de pesquisa no terreno só lhe fazia bem,pq isto parece encomenda dos tubaroes...