A Procuradoria-geral da República portuguesa recebeu uma carta rogatória enviada pelo Brasil para que Duarte Lima seja intimado a apresentar a sua defesa prévia no caso...
O ex-deputado falou pela primeira vez do homicídio de que é acusado para dizer que Olímpia Feteira conduziu a investigação da polícia
A Procuradoria-geral da República portuguesa recebeu uma carta rogatória enviada pelo Brasil para que Duarte Lima seja intimado a apresentar a sua defesa prévia no caso...
Pela primeira vez desde que o caso foi conhecido, Duarte Lima quebrou o silêncio. Numa carta de 11 páginas escrita à mão, o ex-deputado do PSD acusa Olímpia Feteira – filha de Lúcio Feteira e com quem Rosalina andava a disputar a herança do milionário na altura do homicídio – de ter conduzido a investigação da polícia brasileira e de a ter “moldado aos seus desejos”.
Na carta que escreveu, Duarte Lima chega mesmo a dizer que recebeu uma ameaça de José Miguel Júdice, um dos advogados de Olímpia, poucos meses antes da morte de Rosalina: “No final do Verão de 2009, ligou- -me um advogado amigo, o Dr. Rui Gomes da Silva, dizendo-me que fora contactado por esse advogado, sugerindo-me que eu convencesse a minha cliente [Rosalina] a negociar um acordo com a cliente dele [Olímpia] e que se isso não acontecesse iriam transformar a minha vida num inferno”, escreve o ex-deputado na carta enviada à RTP.
Duarte Lima justifica o silêncio de ano e meio com o facto de se tratar de uma investigação “feita por encomenda e com interesses evidentes” em Portugal. “Cada palavra dita poderia ser manipulada contra mim”, diz. Na carta, o advogado recorda ainda detalhes da última conversa que terá tido com Rosalina e em que esta lhe terá confidenciado que tinha descoberto provas de delapidação da herança de Feteira no Brasil: “Disse- -me que estava só à espera de documentos que o provavam.”
Sobre os mais de 5 milhões de euros que recebeu de Rosalina Ribeiro, o ex-deputado insiste que se devem a honorários. “Ficara acordado que receberia 10% da herança, por isso esse dinheiro era só uma parte do que ainda viria a receber”, diz. Duarte Lima refuta também os depoimentos do afilhado e das amigas de Rosalina à polícia e assegura que a relação com a cliente “decorreu, durante nove anos, sem falhas”. Na carta, o advogado queixa-se de nunca ter sido ouvido pela polícia brasileira, facto que considera “bizarro”, e garante que confia na justiça portuguesa e mesmo na brasileira: “Porque não se pode confundir o sistema judicial de um país com a maneira como é feita a investigação da polícia”, justifica. Duarte Lima termina a carta dizendo que tem estado concentrado, nos últimos dez anos, “em salvar vidas em Portugal e no mundo”. “E isso mostra o quanto prezo a vida humana”, garante.
Contactada pelo i, Olímpia Feteira diz que as acusações de Duarte Lima são “um acto de um homem em estado de desespero”. A filha de Feteira estranha o timing da carta e acredita que o ex-deputado estará a tentar desviar atenções. “Até porque sabe que haverá investigação cá e já está a preparar-se para mover as influências que tem em Portugal”, diz.
Sobre a alegada ameaça feita pelo seu advogado, Olímpia desmente: “É natural que tenha havido contactos entre os advogados para se chegar a acordo em alguns momentos. Mas nunca houve qualquer ameaça, isso é completamente impossível”, garante a herdeira.


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