A decisão de vender a participação do Estado na EDP a uma empresa chinesa contribui para melhorar a reputação de Portugal e cria um "enorme potencial" para as empresas portuguesas na Ásia, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, citado pela Lusa.
O ministro, que falava na abertura do Seminário Diplomático, em Lisboa, salientou a importância da decisão para a política externa portuguesa "pela sua transparência e sentido final".
"Todos os concorrentes disseram que o processo tinha sido transparente, o que é essencial para a reputação de Portugal", afirmou. Por outro lado, considerou, a decisão "constitui um enorme potencial para as empresas portuguesas que querem entrar nos mercados asiáticos", tendo em conta que "Portugal tem um prestígio histórico no Oriente".
Sobre esta matéria, o ministro prometeu "fazer tudo" o que estiver ao alcance do ministério que dirige para que esse potencial seja aproveitado.
Aspectos que, segundo o ministro, se juntam à importância, no plano interno, de a escolha ter correspondido "ao melhor preço e à melhor solução para o endividamento" português.
O exemplo da EDP vai encontro das duas políticas estratégicas do governo para as relações com o exterior, que passam, por um lado, pela melhoria da percepção externa sobre a situação de Portugal e, por outro, por um “empenhamento total na diplomacia económica”.
É, sobretudo, a este último campo que dizem respeito as cartas gerais de missão diplomática, nas quais serão enunciadas as prioridades da política de diplomacia económica. Uma delas é a “facilitação dos instrumentos para operacionalizar essa política”, refere Paulo Portas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros, que se prepara para assinar até ao final deste mês o protocolo com a AICEP, vai, por isso, acolher nas suas delegações no estrangeiro as representações desta organização e também do IPAD, que passarão a beneficiar dos mesmos regimes fiscais dos países onde os diplomatas se encontrem.
Concentrar no mesmo espaço diferentes estruturas é uma das medidas da reforma que o governo está a levar a cabo neste ministério, que inclui a fundão de organismos e o encerramento de algumas embaixadas e consulados, bem como a redefinição dos países considerados prioritários para a política externa do país.
Ontem, o Ministério dos Negócios Estrangeiro anunciou que iria proceder à "mais ampla renovação" de embaixadores dos últimos anos, que já foi aprovada pelo Presidente da República.
Hoje, Paulo Portas voltou a sublinhar as mudanças que estão a ser levadas a cabo pela tutela, sublinhando a selecção “criteriosa” na escolha “desta nova geração de diplomatas”.
“Procuraram-se colocar os melhores nos postos mais difíceis”, afirmou o ministro, acrescentando que a nova reforma duplica o número de mulheres à frente de embaixadas e instituições.
Considerando que estas mudanças não vão ser “isentas de controvérsia”, Portas quer que a política consular garanta que sejam “substituídos com vantagem os consulados que foram encerrados”.
Outra das prioridades para 2012 é o ensino do português, uma área onde está a ser planeada e vai ser executada uma “reforma em profundidade”, afirma Paulo Portas.



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