TSF
Redacções de Faro e Évora vão desaparecer no processo de reestruturação em curso
A TSF iniciou um processo que implica o encerramento de delegações e extinção de postos de trabalho, disseram à Lusa dois jornalistas da estação, enquanto o director da TSF apenas revela que tem em curso uma “reorganização financeira”.
“A TSF tem em curso uma reorganização financeira que será comunicada a toda a redacção até final da semana”, afirmou Paulo Baldaia, escusando-se a adiantar mais informação.
Já os jornalistas da TSF em Évora e em Faro confirmaram à Lusa que essa reorganização vai implicar o encerramento das duas delegações, tendo-lhes sido anunciada hoje a extinção dos postos de trabalho nestes locais, por questões de ordem orçamental.
Segundo o jornalista da TSF em Évora, Carlos Júlio, a direcção já estaria a contactar jornalistas e técnicos de forma individual, o que significou que as diferentes pessoas desconheciam a situação umas das outras, envolvendo ainda pessoas da redacção de Lisboa.
Carlos Júlio, na TSF desde 1990, considera “curiosa” a decisão, tendo este recebido o prémio Gazeta de Rádio no ano passado, dado pelo Clube de Jornalistas, com a reportagem “A terra a quem a trabalha”.
Por seu lado, a jornalista da TSF em Faro, Maria Augusta Casaca, confirmou apenas o encerramento da delegação, sem querer adiantar mais informações, numa cidade onde a rádio já partilhava espaço com o Diário de Notícias, também do grupo Controlinveste, e utilizava a mesma viatura de serviço.
Maria Augusta Casaca foi a vencedora do prémio de jornalismo Direitos Humanos & Integração em 2010, na categoria de rádio, com o trabalho “O silêncio dos dias”, tendo também ganho o primeiro prémio de jornalismo da Associação Nacional de Municípios Portugueses em 2007. A Lusa tentou contactar a administração da estação, mas tal não foi possível em tempo útil. A reestruturação financeira da rádio do grupo Controlinveste, de Joaquim Oliveira, como classifica o processo o seu director, Paulo Baldaia, é mais um caso de redução de salários e efectivos que está a atingir em cheio a comunicação social portuguesa e resulta, essencialmente, da queda continuada de receitas de publicidade desde 2008. Preços cada vaz mais baixos e cortes acentuados no investimento publicitário tornam inevitáveis ajustes nos quadros de pessoal e mesmo encerramentos, como aconteceu recentemente com a revista Focus, do grupo Impala, do empresário Jacques Rodrigues, que edita as revistas “Maria” e “Nova Gente”, entre outras.



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