Os sinos das igrejas também são um alvo. Fonte da GNR acredita que as câmaras terão de começar a investir em seguros
ReutersCom a subida dos preços dos metais, os furtos triplicaram entre 2010 e 2011. Os consumidores podem começar a exigir indemnizações
Os sinos das igrejas também são um alvo. Fonte da GNR acredita que as câmaras terão de começar a investir em seguros
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O roubo de metais tem vindo a aumentar desde 2008, não só em quantidade, como na dimensão dos danos provocados. Só no ano passado foram registadas mais de 12 mil ocorrências, num valor da ordem dos 25 milhões de euros, correspondente a perto de 100 mil quilos de metais não preciosos.
Os furtos acontecem de norte a sul do país, com maior incidência nos distritos de Santarém e Porto, e as empresas afectadas são, sobretudo, a EDP, a REN, a PT, a Refer e as companhias de águas. No limite, quem paga é o consumidor.
Em 2011, os roubos de metais não preciosos, na sua grande maioria cobre, custaram à EDP mais de 15 mil euros, 31 mil euros se considerarmos os últimos quatro anos. Os furtos acontecem principalmente em postos de transformação e em subestações e o número de ocorrências é superior a 14 por dia.
A Portugal Telecom admite que, em dois anos, 400 mil cliente já ficaram sem telecomunicações - telefone, internet e televisão -, devido ao roubo de equipamento.
A Refer diz que o assalto às linhas ferroviárias nacionais condicionou, só no ano passado, o funcionamento de 942 comboios. Entre Janeiro e Outubro do ano passado a empresa foi alvo de 351 furtos, um prejuízo estimado de 1,364 milhões, um pouco acima do verificado na totalidade do ano anterior.
No caso das companhias de águas, diversas câmaras municipais viram-se obrigadas a reflectir no consumidor o preço de novos contadores, cerca de 60 euros cada, por já não terem como suportar os custos.
A EPAL foi alvo de 33 roubos de cobre em 2011 - mais do dobro dos registados em 2010 -, com um valor estimado de quase 123 mil euros. Grande parte são cablagens afectas aos postos de transformação.
As zonas rurais continuam a ser as mais afectadas e o número de queixas de agricultores cresce todos os dias, devido ao roubo de materiais como cabos de pivots ou motores de rega. A CAP - Confederação dos Agricultores de Portugal, confirmou ao i que recebe cada vez mais pedidos de ajuda e que a situação é alarmante. De tal forma, que existem mini-hídricas em perigo de vazamento, como consequência do roubo das torneiras de segurança.
Indemnizações Fonte da Guarda Nacional Republicana (GNR) disse ao jornal i que existe “uma distância tremenda entre aquilo que é o furto do metal e o dano causado de facto”.
No Reino Unido, a maior empresa de distribuição de energia, a EDF, viu-se obrigada a pagar uma indemnização de 24 milhões de libras (quase 29 milhões de euros ao câmbio actual), por quebra de contrato. Foi em 2009, como resultado do roubo de uns metros de fio de cobre, situação que impediu a empresa de reestabelecer o serviço numa determinada povoação em menos de quatro dias, o que deu origem ao pagamento de uma multa de 50 libras por cliente.
Em Portugal, não existe a tradição de pedir contas às empresas fornecedoras e ainda continuam a ser estas a reflectir as perdas nos consumidores. No entanto, e com o agravar da situação, é provável que os prejudicados comecem a unir-se em associações para pressionar o prestador de serviços a pagar uma indemnização por perdas e danos, como acontece lá fora.
Por outro lado, a actuação da GNR está cada vez mais apertada e começam a ser descobertos alguns gangues que operam no furto de metais, como aconteceu recentemente com o grupo que assaltava e roubava placas, crucifixos e até bustos em cemitérios na zona da Ovar, Aveiro e Anadia.
Os roubos de metais dispararam a partir da segunda metade de 2010 e intensificaram-se em 2011, com a subida do preço dos metais não preciosos. O número de apreensões também subiu, 405 no ano passado, de acordo com dados do Ministério da Administração Interna.
Fonte da GNR disse ao i que tem havido uma forte aposta “na prevenção, na intervenção e na investigação criminal”, além de terem sido criadas equipas mistas com a Guardia Civil espanhola, o que já está a dar frutos, uma vez que grande parte das vendas se destinam à exportação em bruto.
A legislação portuguesa, contudo, “está desactualizada e não permite que se faça muito mais, sobretudo ao nível dos receptadores”. A GNR apenas consegue entrar numa sucateira ao abrigo de legislação ambiental. Depois, e para avançar com um proceso, tem de conseguir provar onde e por quem foi adquirida a matéria-prima suspeita encontrada.


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