Arménio Carlos foi confirmado como líder pelo Conselho Nacional da CTGP eleito ontem no congresso
eduardo martinsCandidatura alternativa a Arménio Carlos acabou por morrer na praia. Sectores minoritários apresentaram manifesto onde pedem mais diálogo dentro da central sindical
Arménio Carlos foi confirmado como líder pelo Conselho Nacional da CTGP eleito ontem no congresso
eduardo martins
Arménio Carlos foi consagrado ontem no congresso da CGTP o novo secretário-geral da maior central sindical portuguesa. Até ao último momento esperava-se uma candidatura alternativa vinda da corrente socialista minoritária, mas acabou por não acontecer. Deste congresso sai hoje uma CGTP sem uma oposição formalizada, mas com as corrente minoritárias a pedirem “democracia interna”.
A ideia de uma candidatura alternativa partiu dos sectores da renovação comunista dentro da Intersindical, explicou ao i fonte dos sectores minoritários da central. E o nome de Carlos Trindade, o líder dos socialistas na central, até estava a ganhar peso, para mais, Ulisses Garrido, o dirigente dos independentes católicos, não podia ser tido em conta por não integrar o conselho nacional da Intersindical. Mas a ideia de uma candidatura alternativa acabou por não agradar à totalidade dos sectores minoritários, tendo Garrido sido um dos primeiros a discordar. Esta opinião acabou por vingar e, ainda na véspera do congresso, a ideia foi abortada. De toda esta movimentação ficou, no entanto, uma decisão: não votar em Arménio Carlos. “Votarei em branco para deixar claro que Arménio Carlos não sai deste congresso em braços, no meio de unanimidade. O recado que fazemos passar é que a sua liderança suscita dúvidas e esperamos para ver como irá actuar”, explicou ao i um dos dirigentes das alas minoritárias antes da votação.
A consagração do novo secretário-geral só chegaria ao fim do dia, devido a atraso nos trabalhos do congresso que termina hoje. O resultado já era esperado entre os dirigentes que entendem que a eleição mais não é que o culminar de um processo iniciado logo quando Arménio Carlos entrou para a Comissão Executiva da CGTP, no anterior congresso.
Nova ordem No discurso que proferiu a meio da tarde, Arménio Carlos falou já com a autoridade de uma liderança garantida. Entre as ideias centrais esteve o ataque ao acordo tripartido – que a CGTP não assinou – tal como tinha feito antes Carvalho da Silva, na sua intervenção de despedida. Outra ataque repetido foi à troika que, diz Arménio Carlos, veio anunciar “que é preciso sangrar ainda mais o doente, repescando a taxa social única do patronato”. A sintonia de ideias não escapou à análise dos dirigentes que estavam na audiência. “Aqui não acontecem coincidências”, argumenta um dos dirigentes da central, “o discurso de Arménio queria colar-se ao de Carvalho da Silva para que se veja nele uma continuidade”.
A intervenção feita ontem por Arménio Carlos deixa claro que os próximos tempos vão ser de combate para a central. O desemprego foi classificado como “catástrofe nacional” e a “luta contra a precariedade” e os direitos dos trabalhadores colocadas no topo das prioridades. “Não aceitamos o trabalho forçado, lutaremos contra as políticas que desbaratam e contra a retórica dos fariseus”, proclamou Arménio Carlos entre as críticas ao acordo tripartido que saiu da concertação social que a CGTP abandonou em protesto.
Apesar deste congresso não formalizar uma oposição interna, ficou o aviso dos desalinhados através de um manifesto, subscrito por algumas dezenas de sindicalistas das correntes minoritárias, a reclamar mais “democracia interna” e a apelar a um acção “mais orientada para a busca permanente dos pontos e plataformas mínimos de convergência e de acção comum com o restante Movimento Sindical Português, incluindo a UGT”. O manifesto tem entre os signatários Ulisses Garrido, do executivo da CGTP, o líder da corrente socialista, Carlos Trindade, o dirigente do sindicatos dos professores António Avelãs, o presidente do sindicato dos funcionários Judiciais Fernando Jorge, e ainda António Chora. O presidente da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa viu a sua presença neste congresso bloqueada, tendo sido vetado o seu nome como delegado ao congresso.


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