Arménio Carlos junto a um piquete de greve, em Lisboa
LusaO líder da CGTP defendeu hoje uma revisão do Código do Trabalho que elimine "a desregulação das relações laborais", dizendo ainda ser contra reduções na administração pública que levem à "diminuição da quantidade e qualidade do serviço público".
No final da sua primeira reunião com o PS desde que é secretário-geral desta central sindical, Arménio Carlos disse que há aspetos do Código do Trabalho e "malfeitorias" que "precisam de ser revistas" e "retiradas", porque "não resolvem nenhum problema de competitividade das empresas, pelo contrário, aumentam a desregulação da legislação laboral e o desequilíbrio das relações laborais entre trabalhadores e empregadores".
Em declarações aos jornalistas, na sede do PS, o líder da CGTP adiantou ter alertado os dirigentes socialistas para a necessidade "urgente" de aumentar o salário mínimo nacional.
"Neste momento temos 400 mil trabalhadores que auferem um rendimento líquido mensal que é inferior ao valor do limiar da pobreza, que é de 434 euros", assinalou Arménio Carlos.
Questionado sobre a redução entre 17 a 20 mil trabalhadores do Estado em 2011, o líder sindical referiu que diminuir o número de trabalhadores "da administração pública, da administração local ou regional, pode corresponder a uma diminuição da quantidade e qualidade do serviço público" e isso é "inaceitável".
"Num quadro em que precisávamos de criar emprego, o Governo é o primeiro a dar um mau exemplo e a destruir emprego", criticou.
Questionado sobre a greve geral convocada pela CGTP, e que se realiza daqui a um mês, a 22 de março, Arménio Carlos disse esperar "uma participação forte de todos os trabalhadores, independentemente da sua filiação política ou sindical, porque o que está em marcha é uma ofensiva contra todos sem exceção".
"Se nós não nos unirmos para responder a esta ofensiva então eles esmagam-nos e nós não queremos ser esmagados, portanto, a única alternativa é unirmo-nos, organizarmo-nos e mobilizarmo-nos para lutarmos", advogou.
O secretário-geral da CGTP apelou ainda aos trabalhadores para encararem a participação na greve como "um investimento" em defesa do "futuro e das novas gerações".
"Estamos convictos de que vamos ter um grande nível de participação, porque os trabalhadores estão muito insatisfeitos e, por outro lado, também se sentem indignados e com uma necessidade óbvia de responder a esta política que está em desenvolvimento, embora saibamos que não é só uma luta pela defesa dos nossos direitos, é também uma luta pela defesa da nossa dignidade", disse.
Já sobre se considera que "o país vai parar", Arménio respondeu que "uma grande parte [do país] vai", mas notou que "nunca nenhuma greve geral, em qualquer país do mundo, fosse ele qual fosse, parou completamente o país".



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