Por Nuno Ramos de Almeida, publicado em 9 Dez 2011 - 04:00 | Actualizado há 24 semanas 15 horas
Um dos cronistas do “Financial Times” escreveu no início da crise que os planos de “ajuda” à Grécia, Portugal e Irlanda lhe faziam lembrar a pequena história de um homem condenado à morte a quem dão uma última hipótese, dizendo-lhe que não o enforcam desde que ele ensine a falar o cavalo preferido do rei no prazo de um ano. O condenado pensa com os seus botões, antes de aceitar: “O rei e o cavalo podem morrer e até é possível que eu consiga ensinar o quadrúpede a falar.” Já passou um ano e, visivelmente, as únicas criaturas que continuam a falar são os líderes do eixo franco-alemão. Para eles existe apenas a vulgata monetarista. A economia do continente está a afundar-se e continuam a insistir que a realidade é que se engana. Quem não estava cego pela propaganda sabia que o euro era um gigante com pés de barro. Como é que era possível criar uma moeda única numa zona desigual do ponto de vista económico sem a existência de um orçamento que a sustentasse nem um Banco Central Europeu que cumprisse o seu papel? Impossível, como veio a verificar-se. Para toda a gente menos para a virtuosa senhora Merkel, as casas não se começam a construir pelo telhado. A unificação monetária tinha de ser precedida por uma política que permitisse a convergência das economias dos Estados-membros. Aquilo que a dupla Merkel e Sarkozy nos propõe agora é que só podemos ser membros formais da zona euro se aceitarmos ter salários do terceiro mundo e um governo alemão. Para nos convencerem a aceitar o protectorado da miséria, afirmam-nos que a alternativa é o caos. Mas há pior do que ser calado à força e mantido na miséria?
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