Alexandre Soares dos Santos: pragmatismo superou razões do coração
andré kosters/lusaPor Tiago Mota Saraiva, publicado em 7 Jan 2012 - 04:00 | Actualizado há 19 semanas 6 dias
Alexandre Soares dos Santos: pragmatismo superou razões do coração
andré kosters/lusaNo início dos anos 90, o tenente-general William Pagonis era um dos mais experimentados militares norte-americanos em logística de guerra, tendo servido no Vietname e no Iraque. Ao regressar da “Operação Tempestade no Deserto” estava à sua espera um lugar na administração de uma das maiores cadeias de supermercados do mundo.
Em boa verdade, os pontos de contacto entre a indústria de guerra e as cadeias de supermercados não são residuais. A preponderância do instinto de sobrevivência, o depurar da caracterização da outra parte (inimigo ou consumidor), a camuflagem, a dispersão ou a contínua necessidade de evitar a obsolescência são apenas alguns dos paralelos que se podem estabelecer entre as duas actividades. À propaganda, compete escondê-lo.
A notícia de que, no último dia do ano, a família Soares dos Santos havia transferido a sede da Jerónimo Martins para outro país só surpreende quem acredita na sua propaganda. Tal como todos os outros grandes operadores destas áreas de negócio, o objectivo principal da sua acção é o lucro máximo, extorquindo benesses dos Estados em que actuam, pagando salários de miséria aos seus trabalhadores, esmifrando os produtores e dissimulando, junto da opinião pública, as suas formas de guerra.
Neste momento é relevante salientar que personagens como Alexandre Soares dos Santos continuam a ter todo o tempo mediático para elucubrar discursos moralistas sobre o estado da nação e zurzir sobre a necessidade de se trabalhar mais por menos dinheiro. É bom que doravante não esqueçamos que este discurso corresponde à defesa dos seus interesses e não de uma ideia de país ou de sociedade em que se viva melhor.
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