Parlamento Europeu
Jean-Etienne Minh-Duy Poirrier no Flickr.com/ licença creative commons 2.0 genéricaPor Tiago Mota Saraiva, publicado em 4 Nov 2011 - 18:53 | Actualizado há 28 semanas 5 dias
Parlamento Europeu
Jean-Etienne Minh-Duy Poirrier no Flickr.com/ licença creative commons 2.0 genéricaPor breves momentos, ignoremos os motivos do tão súbito quanto efémero interesse de Papandreou por devolver a palavra ao povo e a vergonhosa retaliação dos donos da Europa.
Uma das coisas mais impressionantes dos últimos dias foram as reacções dos principais actores políticos gregos à hipótese de referendo. Boa parte dos deputados da maioria governamental não hesitaram em retirar o tapete ao líder, deixando claro que a sua acção política não se enraíza no desejo de representação do povo, nem mesmo na solidariedade partidária. Ao mínimo espirro dos mercados, os seus zelosos representantes procuraram evitar a constipação dos interesses financeiros, ainda que sobre o cadáver do povo. Liderados pela sinistra figura do ministro das Finanças – indivíduo com um historial político pouco recomendável no que toca a defesa do interesse público –, promoveram um autêntico levantamento de rancho contra a auscultação popular.
No momento em que o PS anuncia o seu apoio ao OE2012, cobardemente encavalitado numa abstenção, há que perceber que esta decisão também não é motivada pelo superior interesse nacional ou pelo desejo de representação do povo. Não é de mais repetir que todos os estudos de opinião revelam que uma esmagadora maioria da população está contra a operação de sangramento da economia em curso. É bom que não esqueçamos esta abstenção quando ouvirmos discursos vagos sobre a aproximação do eleito ao eleitor ou quando pulularem, em ambiente pré-eleitoral, discursos indignados contra a referida terapia medieval.
Isto, claro, se os mercados ainda não tiverem proibido toda e qualquer eleição em países sob intervenção externa.
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