A greve dos trabalhadores da NAV levou ao cancelamento de centenas de voos esta semana
No flickr.com/ licença creative commons 2.0 por Carlos AlkminPor Nuno Ramos de Almeida, publicado em 23 Dez 2011 - 04:00 | Actualizado há 22 semanas 14 horas
A greve dos trabalhadores da NAV levou ao cancelamento de centenas de voos esta semana
No flickr.com/ licença creative commons 2.0 por Carlos AlkminInicialmente parecia um erro de comunicação, quando um anódino secretário de Estado de apelido Mestre defendeu que as pessoas deviam deixar a sua “zona de conforto” e emigrar. Apesar de o próprio ter negado as declarações ao “Correio da Manhã”, o futuro mostrou que ele estava simplesmente a falar antes dos seus superiores. Semanas depois veio o superministro Miguel Relvas defender o mesmo e, recentemente, o primeiro-ministro fez saber que preferia que os professores emigrassem a que ficassem em Portugal, provavelmente a incomodar e a protestar. É óbvio que o governo desistiu de tentar resolver a vida dos portugueses, apenas deseja que eles vão fazer a vida noutro país.
O governo prevê que a economia contraia mais de 3% para o próximo ano. Os analistas internacionais falam em mais de 5%. Parece muito claro que a política deste governo, a mando dos alemães, apenas fará que Portugal se torne inabitável. Não é por acaso que há uns meses a chanceler Merkel declarou generosamente que havia lugar na Alemanha para alguns dos melhores licenciados de países como a Grécia, Portugal e a Irlanda. Depois de os países do centro saquearem os da periferia com empréstimos de pura agiotagem, trata-se de os privar dos quadros que lhes possam permitir sair do buraco e ter uma vida independente das decisões de Berlim.
Para quem vive neste maravilhoso rectângulo à beira-mar plantado resta uma escolha: deixar que nos mandem embora ou recusar uma política e um governo que nada mais faz que representar os credores estrangeiros.
Editor-executivo, escreve à sexta-feira


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