Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia
Mário Cruz/LUSAPor Nuno Ramos de Almeida, publicado em 13 Jan 2012 - 04:00 | Actualizado há 19 semanas 9 horas
Ao ouvir o ministro da Economia – o Álvaro, como ele quer ser tratado pelos jornalistas – a propor a via do pastel de nata para a resolução da crise económica portuguesa, defendendo que se cada um dos portugueses vender um bolo ao estrangeiro o país atinge o estádio milagroso do crescimento económico, lembrei-me de um estudo académico. A reputada London School of Economics e a Berlin’s Hertie School of Governance analisaram o perfil dos ministros das Finanças de 27 países da União Europeia desde 1973 e chegou a um conjunto de correlações interessantes: quanto mais elevada a formação académica dos ministros das Finanças piores os resultados económicos. Surpresa das surpresas, Portugal e a Grécia têm o maior número de doutorados em Economia na pasta das Finanças: 69% dos titulares gregos da pasta são doutorados nos mistérios da economia e 55% dos titulares da pasta portugueses tiveram a mesma sorte. Durante o mesmo período, o Reino Unido teve ZERO doutorados da fantástica ciência nesses cargos. É de assinalar também o facto de, tirando um pequeno percalço nos anos 70 (acho que se chamava revolução), os ricos estão cada vez mais ricos em Portugal e os pobres cada vez mais pobres. Pode dizer-se que não há a mínima dúvida que são preciso professores catedráticos de Economia, uma espécie de cardeais da fé neoliberal, para continuar a espremer as pedrinhas da calçada.
Olhando para os homens-chave do governo de Passos Coelho, Vítor Gaspar, Álvaro Santos Pereira, para não falar dos seus conselheiros mais próximos, vemos o olhar brilhante dos convertidos que nenhuma realidade fará recuar. Se o pastel de nata não resultar, podem sempre cortar a hemodiálise aos velhos.
Editor-executivo
Escreve à sexta-feira



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