Por Tiago Mota Saraiva, publicado em 21 Jan 2012 - 04:00 | Actualizado há 17 semanas 6 dias
Já nem o mais voraz liberal arriscava argumentar que o mercado por si podia resolver o problema laboral dos mais jovens. Repetiam-nos que competiria ao Estado prejudicar as condições laborais dos mais velhos para que o mercado abrisse espaço para os mais jovens. Os mais radicais chegaram a anunciar que a luta de classes se havia transformado numa luta de gerações. Como se a única solução para o filho fosse defender o despedimento do pai.
É certo que a taxa de desemprego jovem é elevadíssima e se a esse número juntarmos os que têm relações laborais precárias e/ou salários baixíssimos, percebemos que as condições de trabalho digno para os mais novos em Portugal são residuais. Acresce que o subsídio de desemprego ou os apoios sociais são uma quimera de um Estado social que “não lhes assiste”.
Contudo, esta miserável condição é equilibrada por um estado social familiar. Tem sido cada vez mais frequente saber de pais e avós a apoiar financeiramente os descendentes compensando os desequilíbrios em que o país tem vindo a mergulhar. Quanto mais não seja, financiando a sua emigração.
O acordo de Concertação Social que o primeiro-ministro anunciou e que a UGT, sem surpresas, subscreveu, destrói a forma como a sociedade se tem vindo a adaptar ao aumento das desigualdades.
Facilitando o despedimento, o mercado tenderá a substituir os trabalhadores mais velhos por jovens com remunerações mais baixas, ao mesmo tempo que o Estado se recusa a aumentar os encargos com o desemprego recuando nas prestações sociais que lhe seriam devidas.
O governo e a UGT, à sombra de um patronato de inteligência estreita, estão a partir a espinha das relações familiares. Não perceberam que estão sentados sobre um barril de pólvora.
Arquitecto
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