Como diria Buffett, “seja ganancioso quando os outros têm medo”
Rick Wilking/ReutersPor Emília O.Vieira, publicado em 10 Fev 2012 - 04:00 | Actualizado há 15 semanas 13 horas
Quando a conjuntura é favorável ou as notícias para determinada empresa são muito positivas, é fácil o investidor comum perder o bom senso e seguir a multidão
Como diria Buffett, “seja ganancioso quando os outros têm medo”
Rick Wilking/Reuters
O medo e a ganância têm separado muitos investidores do seu dinheiro. Quando o mercado de acções cai porque as notícias são más e a conjuntura macroeconómica difícil, os investidores vendem a qualquer preço activos de grande valor. Do mesmo modo, quando a conjuntura é favorável ou as notícias para determinada empresa são muito positivas, é fácil o investidor comum perder o bom senso e seguir a multidão.
Como devemos então investir em acções?
1. Não nos devemos centrar no preço da acção mas sim no valor do negócio subjacente. Os preços das acções mudam de segundo em segundo ao longo da sessão de bolsa. Já o valor do negócio muda, quando muito, algumas vezes por ano. A curto prazo, o preço da acção é afectado por quase tudo: se o sol brilha hoje, o que diz um bloguista, algures, sobre a acção. A longo prazo, o preço de uma acção é determinado pelo dinheiro que é gerado pelo negócio subjacente. Se a empresa gera cada vez mais dinheiro, torna--se mais valiosa e o preço da acção acompanhará essa subida. Se, pelo contrário, o negócio não se torna mais valioso, nada poderá manter, a longo prazo, o preço da acção em níveis elevados.
Paremos então de olhar para o que o preço da acção está a fazer. Em vez disso, aprendamos o mais possível sobre o negócio. Os seus clientes manter-se-ão fiéis se a empresa aumentar preços? Gera mais dinheiro do que consome? Consegue financiar a sua expansão sem crédito? Os seus gestores são remunerados justamente, sem exageros?
Se compramos um determinado activo somente porque o seu preço tem estado a subir ou o vendemos meramente porque o seu preço está a cair, não somos investidores. Somos especuladores e os nossos ganhos futuros serão reféns das manias da multidão.
2. Devemos compreender o Sr. Mercado e os seus comportamentos. Este foi o nome que Benjamin Graham deu às variações de sentimento dos investidores. Graham pede-nos que imaginemos que somos o principal accionista de uma empresa privada. Diariamente, um dos sócios nesse negócio, o Sr. Mercado, vem bater-nos à porta. Umas vezes oferece-se para nos vender a parte dele no negócio por um preço ridiculamente alto, outras oferece um preço irrisório para comprar a nossa parte. Faria negócio com o Sr. Mercado apenas porque ele o pediu? Ou dir-lhe-ia que não está interessado em transaccionar a parte do seu negócio a um preço demasiado alto ou demasiado baixo?
O Sr. Mercado é mais que uma imagem ou uma metáfora. É a encarnação de centenas de milhões de investidores e especuladores cujos caprichos fazem com que os preços diários de uma acção pareçam o electrocardiograma de alguém que está a ter um ataque cardíaco. Não somos obrigados a negociar com estas pessoas apenas porque elas querem que nós o façamos. Não podemos permitir que a nossa visão sobre uma certa acção, ou sobre o mercado em geral, seja determinada pelo pessimismo ou pelo optimismo de milhões de estranhos. De facto, a ânsia do Sr. Mercado por transaccionar connosco é o sinal de que só devemos agir depois de determinarmos de forma independente, usando o nosso próprio julgamento, se o preço está certo.
3. Devemos manter sempre uma margem de segurança. Finalmente, preservar uma margem de segurança. Demasiados investidores devotam toda a sua atenção à probabilidade de estarem certos. Os investidores precisam também de pensar acerca da possibilidade de estarem errados – e como minimizar as consequências daí resultantes. Devemos questionar-nos constantemente sobre quanto podemos perder se afinal estivermos errados e devemos investir apenas nas oportunidades que, a longo prazo, nos dão maiores probabilidades de lucros que de perdas.
Devemos também diversificar. Nunca concentrar demasiado do nosso capital apenas num investimento, por mais confiantes que estejamos na segurança desse investimento.
Como diria Warren Buffett, “seja ganancioso quando os outros têm medo e tenha medo quando os outros são gananciosos”.
Presidente do conselho de administração
Casa de Investimentos – Gestão de Patrimónios, S.A.
Escreve à sexta-feira


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