William e Kate Middleton deram início ao conto de fadas numa cerimónia "real" que juntou 1900 convidados, cruzando depois as principais artérias da capital brit...
Por Wilton Fonseca, publicado em 10 Fev 2012 - 04:00 | Actualizado há 15 semanas 13 horas
William e Kate Middleton deram início ao conto de fadas numa cerimónia "real" que juntou 1900 convidados, cruzando depois as principais artérias da capital brit...
Escreveu o “Correio da Manhã” que o Palácio de Saint James divulgou a lista dos presentes de casamento recebidos por William e Kate e que entre os “mais bizarros” havia um saco-cama, uns binóculos e um alfinete com 302 diamantes “encrostados”. A bizarria da notícia não reside evidentemente no alfinete, mas sim no facto de o jornalista querer escrever “incrustados” e de lhe ter saído “encrostados”. A consciência do seu fraco domínio da língua originou a manifestação de um fenómeno chamado “hipercorreção” ou “ultracorrecção”.
É quando a pessoa supõe que está perante um erro, tenta contorná-lo segundo as regras que acredita serem as mais justas e, aí sim, comete um engano. Surge então o “encrostado” ou o conhecidíssimo “orinar” (com o “o” aberto) em vez de “urinar”. A hipercorreção tem sido muito praticada por uma classe especial de falantes, os políticos no poder. É aquilo que está a acontecer no Centro Cultural de Belém. A rocambolesca nomeação do presidente e a infeliz decisão de deitar ao lixo os correctores ortográficos (com o roto argumento de que o CCB não depende do Estado que o alimenta e portanto não tem de seguir os compromissos por ele assumidos) não passam de hipercorrecções. Aplaudidas em editoriais e por variadíssimos opinion makers, têm o mesmo nível dos diamantes “encrostados”.
A correspondência para “O ponto do i” pode ser enviada para wiltonfonseca@ionline.pt. O objectivo desta rubrica é chamar a atenção dos leitores para alguns erros detectados na escrita jornalística.
Escreve à sexta-feira


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