Por Rui Costa Pinto, publicado em 31 Dez 2011 - 03:00 | Actualizado há 7 semanas 5 dias
De facto, Portugal começou a mudar. O poder e a sociedade estão cada vez mais conscientes de que os tempos do aventureirismo socialista são irrepetíveis
Em pouco mais de seis meses, o Estado já deu provas de ter acabado com as loucuras despesistas, ao mesmo tempo que os cidadãos dão sinais de ter regressado à realidade de um país falido, corrupto e ameaçado.
De facto, Portugal começou a mudar.
O poder e a sociedade estão cada vez mais conscientes de que os tempos do aventureirismo socialista são irrepetíveis, aliás, porque escasseia o dinheiro para sustentar as ilusões e alimentar as clientelas.
O segundo semestre de 2011 foi decisivo, embora com erros e hesitações, mas ainda há muito a fazer e mudar. É preciso abraçar uma nova etapa, depois de o tempo ter desmascarado as mentiras da anterior governação.
No início de um novo ano, as tarefas redobradas de governantes e governados têm de passar por uma afirmação ainda mais perceptível entre os que querem caminhar com os pés assentes na terra e todos aqueles que, nostálgicos das facilidades do passado, continuam à espera que a imposição de sacrifícios precipite uma crise política.
A determinação de Pedro Passos Coelho vai ser tão decisiva como a emancipação política de António José Seguro em relação aos fãs de Sócrates, que continuam a controlar o PS, a começar pelo seu braço-direito de sempre, António Costa, e a acabar nos que teimam em seguir quem falhou estrondosamente.
Em 2012, o futuro do país depende desta clarificação vital. E das duas uma: ou os portugueses reforçam a confiança em quem continua a trilhar um caminho difícil mas credível, ou então deixam-se levar pelo líder do maior partido da oposição, que tarda em cortar com o passado e continua impedido de afirmar uma nova liderança.
Obviamente, os mafiosos responsáveis pelo assalto impune aos cofres do Estado, durante anos a fio, não vão ficar parados. Contando com uma população exangue e explorando a descredibilização das instituições nacionais e europeias, quiçá, beneficiando de uma comunicação social económica e financeiramente fragilizada, certamente tudo farão para explorar o descontentamento.
Quer isto dizer que devemos aceitar passivamente tudo o que o governo nos impõe? Claro que não. Continuamos a viver em democracia, onde a manifestação e a contestação são legítimas. O que deixou de ser politica e socialmente admissível é cair no logro de fazer o jogo de quem, com total desfaçatez política, continua a criticar as medidas inevitáveis para pagar a factura dos seus erros clamorosos. Aliás, e para quem ainda tem dúvidas sobre a falência do modelo assente numa forte intervenção do Estado na economia, basta recordar que, desde 1986, os mais de 75 mil milhões de euros de ajudas comunitárias não impediram Portugal de registar um crescimento médio anual miserável nas duas últimas décadas.
Nos próximos tempos, é preciso ter presente que a mudança vai continuar a castigar fortemente os portugueses, pelo que o governo não pode ficar indiferente e paralisado face a casos sociais excepcionais.
Como revela a nova lei do arrendamento, que devolve a negociação a inquilinos e a senhorios com balizas definidas, para continuar a trilhar o caminho da mudança é fundamental manter o rumo, mas com redobrada consciência social. O pior que poderia acontecer, por ingenuidade ou excesso de voluntarismo, seria voltar a abrir a porta aos irresponsáveis que nos atiraram para o abismo, ou melhor, seria deitar fora o bebé com a água do banho.
O ano de 2012 tem ser o tal ano da grande marcha pela mudança, pois há uma maioria de portugueses que não querem perder mais tempo, e aspiram a mais e a muito melhor.
Escreve ao sábado



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