Arménio Carlos CGTP
Por Tiago Mota Saraiva, publicado em 18 Fev 2012 - 04:00 | Actualizado há 13 semanas 6 dias
O culto da personalidade é a doença geriátrica do comunismo. A história tem-nos ensinado que o fim das mais erradas experiências de estados que se dizem socialistas deriva (ou começa) numa fixação na imagem de um líder. Em Portugal Álvaro Cunhal sempre o combateu, criticando outros PC que não o faziam e levando essa preocupação até ao que quis que fossem as suas cerimónias fúnebres.
À luz desta questão é particularmente interessante assistir ao que está a mudar na CGTP-IN. Com um discurso muito mais fluido e incisivo que Carvalho da Silva, Arménio Carlos tem-se afirmado como o representante de um colectivo, secundarizando qualquer tipo de culto da personalidade, tanto da anterior como da actual liderança. Se é verdade que Carvalho da Silva utilizou a sua posição de liderança para moderar a central sindical (repare-se, por exemplo, no adiamento da greve geral de 2011 para esperar pela UGT), parece-me claro que a actual direcção reagirá mais rapidamente aos impulsos dos trabalhadores que representa – como demonstra a marcação de uma greve geral para o próximo dia 22 de Março.
Muitos dirão que isto representa uma sectarização e a radicalização da CGTP-IN; outros dirão que decorre da representação do estado de saturação e miséria em que vive a maioria dos trabalhadores. Contudo, o que me parece um dado objectivo é que a CGTP-IN parece muito mais perto das aspirações da maioria dos portugueses que encheram as ruas de Lisboa a 12/03 e 15/10 do ano passado e da crescente maioria de cidadãos que não acredita que o programa da troika sirva o país.
Arquitecto
Escreve ao sábado



Comente esta Opinião