dívida
José Pedro TomazPor Eduardo Nogueira Pinto, publicado em 22 Dez 2011 - 03:00 | Actualizado há 9 semanas 7 horas
Muitos elogiaram as declarações do deputado Pedro Nuno Santos, notando que, finalmente (!), alguém no PS diz algo de esquerda. Mas as já famosas declarações do deputado – num estilo, algo trauliteiro, com que até simpatizo –, mais que de esquerda, são de uma enorme inconsequência.
Diz Pedro Nuno Santos que se está marimbar para os credores, pois o que o preocupa são os portugueses. E depois avança para uma analogia com o póquer, lamentando que não joguemos alto, nem usemos o que chama “bomba atómica” e mais não é do que gritar “não pagamos” na cara de alemães e francesas, com o intuito, presume-se, de os forçar a renegociar.
No póquer, a bomba atómica não é o “não pagamos”, mas o “all in”, uma jogada em que se apostam todas as fichas. Um “all in” só faz sentido em duas circunstâncias e com dois propósitos: quando se tem a melhor mão para limpar o pote, ou como bluff, quando se criou a convicção na mesa de que o nosso jogo é o mais forte, obrigando os restantes a desistir da jogada. Portugal – toda a Europa sabe – está neste momento com uma fraquíssima mão. Precisa, inclusive, do crédito dos parceiros para prosseguir em jogo. Nestas circunstâncias, até um principiante dirá que o caminho é apostar com prudência e manter a voz, enquanto não vêm melhores cartas. Um “all in” seria de uma irresponsabilidade atroz. Significaria sair de imediato de jogo, perdendo o capital e o crédito que ainda restam mas ficando com a dívida, porque nem os credores nem Portugal vão desaparecer.
Para Pedro Nuno Santos, optar pelos portugueses é sacrificá-los num fugaz, irreflectido e suicida impulso de autodeterminação. Com jogadores de póquer assim, o melhor é o PS dedicar-se à bisca.
Escreve quinzenalmente à quinta-feira



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