Por António Ribeiro Ferreira, publicado em 15 Out 2011 - 03:00 | Actualizado há 31 semanas 6 dias
Acabar com feriados estúpidos, limitar salários e despedir funcionários do Estado
É natural que apareçam por aí as carpideiras do costume a protestar contra o facto de os funcionários do Estado ficarem sem os subsídios de Natal e de férias. Para essas carpideiras, justo seria que a medida se aplicasse a todos, públicos e privados. Os que estão do lado da despesa e os que trabalham para dar receitas ao Estado. Para essas carpideiras, que sempre viveram e continuam a viver à conta do Estado e que alimentaram a champanhe e caviar a besta insaciável que levou o país à miséria, o Orçamento de 2012 é injusto porque, veja-se lá, ataca a despesa pública e tenta, por isso mesmo, reduzir as soluções do lado da receita. Dito isto, importa, nesta hora da emergência nacional, ser positivo e dar algumas sugestões para corrigir injustiças, mesmo que o túnel não tenha qualquer luz e um futuro melhor seja uma mera miragem. O governo anunciou mais meia hora de trabalho diário e redução dos feriados. Os senhores ministros sabem perfeitamente que uma boa parte dos trabalhadores privados já trabalha muito mais horas do que as previstas nos obsoletos contratos colectivos de trabalho. De borla, sem receberem horas extraordinárias. Mas mesmo assim, em certas indústrias e sectores de actividade, a medida reduz as despesas de muitas empresas e aumenta naturalmente a competitividade. Quanto aos feriados, espera-se que o governo não entre num interminável ciclo de consultas e consensos que normalmente não levam a lado nenhum. É simples resolver o problema. Feriados estúpidos como o do 5 de Outubro, o do 25 de Abril e o do 1.o de Dezembro devem acabar. Pura e simplesmente. Servem apenas para os políticos debitarem umas generalidades e se pavonearem de um lado para o outro. Quanto aos religiosos, o 8 de Dezembro, o 15 de Agosto e o Corpo de Deus, que calha normalmente entre Maio e Junho, devem ser extintos. Mas há mais. A tolerância de ponto no Carnaval, uma bizarria imprópria em tempos de crise, deve ir para o lixo. Ponto. Mas o Orçamento do Estado tem uma injustiça que ainda pode ser corrigida por Passos Coelho e Vítor Gaspar. Não faz qualquer sentido tirar um subsídio aos pensionistas que recebem reformas entre os 500 e os 1000 euros. Façam-se as contas à poupança e apliquem-se medidas sérias e justas no monstruoso Estado. Uma, mais que elementar, é fixar um tecto para os salários e as pensões pagas pelo Estado de acordo com a emergência nacional. É claro que as carpideiras do costume, sempre cheias de argumentos, virão alertar o país para a fuga em massa de quadros do Estado. Pura falácia. O querido Estado, mesmo com as medidas de austeridade e a perda de algumas regalias, continua a ser um extraordinário porto de abrigo contra borrascas, tornados e furacões. Mesmo que os tais quadros fujam do Estado, por cada fugitivo aparecem de certeza dez ou 20 profissionais que estão desempregados ou a trabalhar em caixas de supermercados. A outra é despedir funcionários públicos. Os muitos que estão a mais, como acontece no sector privado todos os meses, todos os dias, todas as horas. É tempo de acabar com dogmas. É tempo de pôr na ordem os coveiros desta infeliz nação.


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