Europa foi esmagada pela crise
ReutersPor António Ribeiro Ferreira, publicado em 10 Fev 2012 - 04:00 | Actualizado há 15 semanas 13 horas
Enchem a boca com a democracia e têm imensas saudades do velho colonialismo
É sempre muito bom quando a boca foge para a verdade. São momentos únicos, exemplares, que dão para perceber tanta e tanta coisa que normalmente anda escondida, dissimulada em jogos de sombras, de palavras mais ou menos bonitas, consensuais, politicamente correctas. Percebe-se hoje tão bem porque é que Portugal e a Europa estão como estão. Percebe-se hoje tão bem que a decadência económica resulta essencialmente das políticas levadas a cabo por socialistas e sociais-democratas. Podem agora esconder-se atrás das políticas de casino do sistema financeiro internacional que socialistas e sociais-democratas nunca tentaram sequer regular.
Podem agora atirar-se aos que na Europa e também em Portugal tentam desesperadamente inverter uma marcha que levava inevitavelmente ao abismo. Mas a verdade é que as políticas de investimento público, de obras públicas, de escolas públicas omnipresentes, de sistemas de saúde pública monopolistas, de Estados omnipresentes na sociedade, nos negócios, na economia, nas empresas, nas famílias e nos mais ínfimos aspectos da vida dos cidadãos levaram a Europa e Portugal ao declínio, à irrelevância e, no caso português, à desgraça de o país andar de mão estendida a pedir dinheiro para pagar as contas mais elementares de um Estado de direito, como salários e pensões.
As políticas socialistas e social- -democratas em Portugal e na Europa pautaram-se sempre por um fundamentalismo estúpido em matérias como os direitos humanos e a democracia à la carte. Do alto da sua cátedra, os senhores ditam sentenças sobre quem é ou não um bom aluno. Do alto da sua cátedra condenam governos e políticas em nome de princípios que os senhores consideram dogmas invioláveis. Mas é por isso que é muito bom quando por qualquer razão lhes foge a boca para a verdade. Um senhor social-democrata alemão, que há anos andava de dedo em riste a ameaçar com a fogueira um primeiro-ministro de um estado democrático, eleito democraticamente pelos seus cidadãos, e que ficou muito indignado quando Berlusconi o comparou com um guarda de um campo de concentração nazi, vem agora condenar o investimento angolano em Portugal. Extraordinário. Para o senhor Schulz, a participação de empresários e capitais angolanos na economia portuguesa levará o país ao declínio.
É claro que os mesmos que se indignaram com as sensatas declarações da chanceler Merkel sobre o desperdício de dinheiro comunitário na Madeira andam com a viola no saco perante o desaforo deste miserável social-democrata alemão que preside ao Parlamento Europeu. Pois é, senhor Schulz. Acontece que Angola, um país independente, tem todo o direito de investir onde quiser. Acontece, senhor Schulz, que os empresários angolanos têm todo o direito de investir nas empresas e sectores que entenderem. Acontece, senhor Schulz, que o colonialismo já morreu há anos e o neocolonialismo, mascarado de paternalismo democrático, defendido pelos seus camaradas socialistas e social-democratas portugueses e europeus, é a causa primeira da decadência e da miséria da Europa e de Portugal. E, já agora, senhores Schulz, Angola não é nossa nem vossa. É deles, dos angolanos. Que não precisam de lições de gentinha da vossa laia.



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