Por Eduardo Oliveira Silva, publicado em 22 Fev 2012 - 04:00 | Actualizado há 13 semanas 2 dias
Os crimes de violência extrema, como o de Beja, são relativamente raros em Portugal. No entanto, têm vindo a aumentar. Basta consultar jornais para o constatar
Cadé o Crato? A história da ida frustrada do Presidente à Escola António Arroio parece mal contada. Afinal qual a razão pela qual não estava lá o ministro da Educação para receber Cavaco e ouvir os alunos que dependem dele? Tinha mais que fazer? O quê, em concreto? Marcelo Rebelo de Sousa aflorou o assunto, que era óbvio e escapou à análise dos jornalistas presentes.
Correr na passadeira Correr na passadeira faz bem à saúde. Esse dado é incontroverso. Faz emagrecer. É bom para o coração. Diminui a diabetes. Enfim, tem um sem-número de vantagens. Tem só uma contra-indicação: é que não se sai do mesmo sítio. Ora é exactamente o que está a acontecer com Portugal: está a mexer mas não sai do sítio, nem vai a lado nenhum. É verdade que há coisas essenciais que tinham de ser feitas para voltar à forma, mas já estava na altura de obter alguns resultados mais palpáveis, depois de tanto treino. Para já, é indiscutível que os cortes aplicados e o aumento generalizado dos impostos tiveram um efeito devastador na economia e no emprego.
Triste panorama Os crimes de violência extrema, como o de Beja, são relativamente raros em Portugal. No entanto, têm vindo a aumentar. Basta consultar algum tipo de jornais para o constatar. No entanto, há uma realidade social que está subjacente a esse tipo de criminalidade. Tem a ver com perversões, famílias desestruturadas, enfim, uma panóplia vastíssima de práticas horríveis e muito mais correntes do que julgamos. É bom que haja consciência disso e que, na medida do possível, se consiga exercer algum tipo de prevenção. Já agora, não se percebe que a tão prolixa ministra da Justiça nada tenha dito sobre as estranhas condições do suicídio na EPL.
Transferência autárquica? Corre nos bastidores que Francisco Moita Flores pode tentar conquistar Oeiras nas próximas autárquicas. Admitindo que não se trate de mera especulação, seria sempre um risco. Embora sem grande trabalho feito em Santarém, o autor de novelas ainda se pode recandidatar à mesma autarquia. Em Oeiras, depois de tudo o que lá aconteceu, convenhamos que até talvez não seja mau um ex-polícia para a função. Quanto ao PSD, apenas corre o risco de não ganhar nenhuma das câmaras. Mas pode ser até que a coisa não avance, se alguém se lembrar que Moita Flores chegou mesmo a fazer uma homenagem pública a José Sócrates, apunhalando a liderança social-democrata da época.
O ponto forte português A única verdadeira indústria que torna Portugal referência mundial é o futebol. Primeiro Eusébio (agora sempre citado pelos jornalistas como da Silva Ferreira, não vá ser confundido). Depois Figo. Agora Ronaldo, Mourinho, Nani, Villas-Boas e mais uns quantos descendentes dos magriços são os nossos embaixadores mundiais. Eles terão, pois, de ser a boca que come o pastel de nata e bebe o vinho. Terão também de ser os promotores do turismo, de escritores, de artistas e de cantores que se pretendem notabilizar. É claro que já temos valores relativamente fortes, como Mariza, Daniela Ruah e Joaquim Almeida, que importa envolver também nessas campanhas. A verdade é que não chegam. Os da bola é que são mesmo os tais. Usem-nos, pois.
Reconhecimento em falta É certo que o 10 Junho ainda vem longe. Apesar disso, agora que está no seu segundo mandato, Cavaco Silva bem podia pensar em agraciar Emídio Rangel. Goste-se mais ou menos da controversa figura, importa reconhecer-lhe um papel ímpar na história recente do audiovisual português. No momento em que alguns tentam apagá-lo com recurso a um photoshop da memória, talvez o Presidente ficasse bem na fotografia fazendo o que Sampaio e Soares não fizeram.
Um estratego Não se pode dizer que Francisco José Viegas não tenha um apurado sentido táctico. Por um lado, tirou Mega Ferreira do CCB, o que gerou algum burburinho no PS, embora a alta craveira intelectual de Graça Moura não desse hipótese de alarido. Pouco depois pegou no antigo governante socialista Elísio Summavielle e nomeou-o para a nova Direcção-Geral do Património. Deixou o PS atrapalhado e calado, enquanto alguns sociais-democratas ficaram boquiabertos. De resto, a nomeação e a recondução de ex-dirigentes socialistas está a tornar-se frequente, nomeadamente quando se trata de próximos do exilado José Sócrates.
Jornalista. Escreve às quartas-feiras



Comente esta Opinião