Ministro das Finanças, Vítor Gaspar
D.RPor Nuno Ramos de Almeida, publicado em 10 Fev 2012 - 04:00 | Actualizado há 15 semanas 13 horas
Desde que a Grécia está a ser ajudada pela troika tem mais desemprego, menos produção e deve mais dinheiro que antes de lhe emprestarem. Agora vai receber um novo empréstimo para poder pagar o anterior. O preço inicial é despedir 150 mil funcionários públicos. Quando estiver a discutir o terceiro empréstimo para poder pagar aos agiotas do segundo terá mais desemprego, menos produção e deverá ainda mais dinheiro. Os optimistas garantem que a Grécia conseguirá regressar ao mercado de financiamento antes de 2020, numa altura em que deverá mais de 150% do que produz por ano. Os realistas, olhando para todas as previsões da troika que falharam, calculam que no lugar de Atenas haverá um buraco.
Com os problemas gregos podemos nós bem, dirá um Gaspar qualquer ao nosso lado. Mas a verdade é que uns meses depois de a troika nos ter salvo já temos mais desemprego, menos produção e devemos mais. O que nos emprestam serve cada vez mais para pagar os juros daquilo que nos emprestaram antes. No meio desde cenário animador, em que pagamos mais de 5% de juros ao ano e o produto nacional bruto de Portugal vai descer cerca de 5% em 2012, o presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, criticou o facto de Portugal estar a pedir investimentos angolanos, considerando que, assim, “o futuro de Portugal é o declínio”.
Sim, sim, parece que a culpa de tudo é dos investimentos angolanos; os europeus, a troika, os alemães e os governos do bloco central não têm nenhuma responsabilidade.
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