Por José Luís Nunes Martins, publicado em 7 Jan 2012 - 04:00 | Actualizado há 19 semanas 6 dias
As palavras são uma fonte abundante de confusão. Na maior parte dos casos, é a falar que a “gente” se desentende. Quantos problemas se evitariam se dominássemos a arte do “nem tentar dizer”? Quem cala, pelo menos não mente.
Com poucas hipóteses de refutação, o silêncio é sempre um bom argumento que se torna praticamente indestrutível se usado no tempo certo. As palavras pouco dizem, prometem – mas não cumprem. Só a acção expressa a verdade.
Escolher não dizer é uma das melhores decisões. Ouve-se mais e melhor, dando atenção a realidades que o normal ensimesmamento do falar faz esquecer. Na esmagadora maioria dos casos, as palavras são simplesmente desnecessárias, traem e distraem, explicam-se e justificam-se umas às outras, mas quase nunca conseguem cumprir o que juram conseguir: levar algo de um interior a outro.
As palavras são coisas deste mundo, vivem nas circunstâncias, ao passo que o silêncio já marca a presença de um outro mundo aqui. Tal como pedras, as palavras são duras demais para significar o essencial. Não se moldam, alteram a realidade até que possa ser dita.
É, por exemplo, perturbante a confiança dos que acreditam ser capazes de descrever o amor que julgam sentir... na verdade, ou não é amor e cada palavra é um engano – tanto maior quanto mais bela for –, ou é amor e, então, um olhar basta.
A verdade não depende da quantidade nem da qualidade das palavras que se usam para a dizer. A verdade, mais do que se deixar dizer, escuta-se... e escuta.
Investigador
Escreve ao sábado



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