A 21 de Junho, Passos Coelho toma possse como primeiro-ministro de Portugal sucedendo a José Sócrates. O PSD coliga-se com o CDS-PP para formar um governo de maioria.
D.R.Por Duarte Marques, publicado em 27 Dez 2011 - 03:00 | Actualizado há 8 semanas 2 dias
Um povo que conseguiu o feito impar de protagonizar os Descobrimentos e de ultrapassar o Adamastor pode certamente vencer a crise da dívida soberana
A 21 de Junho, Passos Coelho toma possse como primeiro-ministro de Portugal sucedendo a José Sócrates. O PSD coliga-se com o CDS-PP para formar um governo de maioria.
D.R.
Chegámos ao fim do ano mais importante dos últimos tempos e entramos no ano mais decisivo da próxima década. Em 2011 o país enfrentou a realidade da sua própria insustentabilidade, às escondidas do primeiro-ministro, Teixeira dos Santos pediu ajuda externa, os eleitores humilharam Sócrates nas urnas depois de ter feito ajoelhar milhões de portugueses e deixado muitos esqueletos no armário. O seu fantasma continua a levitar por aí causando calafrios ao novo PS, alegadamente mais sério, realista e responsável. Passos Coelho venceu as eleições defendendo um novo paradigma político, um novo papel para o Estado e uma nova responsabilidade para o sector privado. Uma narrativa política que trata de maneira diferente quem é diferente e com mais justiça social, quando se olha para além do populismo de certos quadrantes da nossa sociedade.
O desafio não poderia ser maior, fazer em pouco mais de um ano as reformas que não foram feitas nos últimos 20. Portugal não tem um plano B, não há espaço para passar entre os pingos da chuva, o caminho é estreito e não há oportunidade para errar. Os portugueses enfrentam um choque de realidade equivalente à força com a qual muitos dos dirigentes políticos deste país a ignoraram durante décadas por motivos puramente eleitoralistas, esquecendo que as reformas são investimentos fundamentais para a maior riqueza deste país: as novas gerações.
É por isso urgente mudar de vida e esta mudança só é possível se todos participarem, unidos com o objectivo de salvar Portugal. Salvar Portugal não se faz com demagogia nem com calculismo político, ou oportunismo partidário. Salvar Portugal não se faz de olhos vendados e consciência ignorada, nem com a mesma irresponsabilidade que nos levou à crise.
Todos temos de contribuir e participar conjuntamente. Fazer mais e melhor que até aqui, começando pelos políticos e restantes líderes nacionais. Também os nossos professores e estudantes têm de ser ainda melhores, os médicos, os advogados, os padeiros, os electricistas, os artistas, os vendedores, os pais e os filhos têm que ser ainda melhores pais e filhos, os amigos terão de ser ainda mais amigos.
Espero que 2012 seja um ano com mais solidariedade, entre todos e sobretudo entre gerações. No Ano Europeu da Solidariedade entre Gerações devemos recordar que esta via tem dois sentidos, pois nos últimos anos as novas gerações apenas viram exemplos de solidariedade das gerações mais novas com as anteriores.
Espero que no próximo ano a nossa justiça funcione e seja mais justa e célere, as empresas sejam mais produtivas e solidárias nas exportações, a ciência seja posta também ao serviço das empresas, se faça a reforma na rede de ensino superior, a educação se centre no aluno e não no professor, as leis laborais sejam mais flexíveis e simplifiquem a contratação de jovens, os voluntários vejam o seu altruísmo reconhecido ou pelo menos respeitado. Espero que em Dezembro de 2012 tenhamos ainda mais orgulho em ser portugueses e possamos dizer que os sacrifícios e os esforços valeram a pena, pois teremos um país melhor, a entrar nos eixos e um futuro mais sustentável.
O povo português é responsável por feitos inigualáveis, sobretudo para um país tão pequeno, dos Descobrimentos até hoje. Se há povo para o qual não há missão impossível, esse povo é o nosso. Temos uma das línguas mais faladas do mundo, o melhor treinador e o melhor jogador de futebol, a empresa que lidera o mercado das energias renováveis, gestores de topo nas maiores multinacionais, centenas de empresas de tecnologia que vendem soluções aos sectores mais exigentes, inventámos a via verde e o transístor de papel, temos os melhores sapatos, o mobiliário mais exclusivo, o fado, o maior mar para explorar, o melhor peixe, a melhor culinária, as praias e as mais belas ondas, a melhor luz, somos o povo mais acolhedor que existe, e até temos o melhor bolo de chocolate do mundo. De que estamos à espera?
Para vencer, meio passo é acreditar, o outro meio é querer! Se todos quisermos, juntos conseguimos.
Presidente da JSD, escreve quinzenalmente


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