UE já ameaçou impor mais sanções ao regime de Bashar al-Assad se não terminar a repressão violenta. Rússia continua a apoiar aliado
Dois carros armadilhados explodiram ontem perto de uma sede das forças de segurança sírias em Aleppo, fazendo pelo menos 28 mortos, 175 feridos e trazendo a violência a mais uma cidade do país.
Enquanto Homs, um dos bastiões da oposição a Bashar al-Assad desde o início dos protestos populares a 15 de Março, continuava ontem sob ataque com artilharia pesada pelas forças do regime, a sede destas foi alvo das explosões numa das poucas cidades que continua a apoiar Al-Assad.
De acordo com os media estatais, os atentados foram apenas mais “uma prova” de que o regime está a ser vítima de uma “campanha terrorista” e não de uma revolução popular por mais direitos sociais e democráticos. A oposição ao regime, contudo, acusou o regime de tentar “manchar os movimentos populares” enquanto as forças governamentais continuam a “esmagar manifestantes pacíficos” em Homs.
De acordo com testemunhas no terreno, os ataques com tanques e morteiros em Homs já fizeram “centenas de mortos” na última semana, continuando ontem pelo oitavo dia consecutivo. E depois de, na quarta-feira, habitantes da cidade terem dito a jornalistas estrangeiros que temiam “uma ofensiva no terreno em breve”, o seu medo pareceu concretizar-se.
Segundo o “Washington Post”, soldados e agentes da polícia sírios abriram fogo contra centenas de manifestantes que se concentraram no centro de Homs depois das orações de sexta-feira na manhã de ontem. De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, as forças do regime mataram 27 pessoas nesse ataque.
Já o ataque à bomba levado a cabo em Aleppo não foi, até ao fecho desta edição, assumido por qualquer facção. Este tanto pode ter sido levado a cabo pelo regime para “manchar” os protestos, como acusava ontem a oposição, como poderão ter sido os grupos armados opositores ao regime – que têm sido formados ao longo dos últimos meses por desertores das forças de segurança do regime e que há muito prometem uma “ofensiva armada” para tirar Al-Assad do poder.
Esse é também o objectivo da União Europeia e dos Estados Unidos, que na semana passada viram uma nova resolução de condenação ao regime sírio ser vetada no Conselho de Segurança das Nações Unidas pela Rússia e pela China – dois aliados estratégicos de Al-Assad, que se opõem à “intromissão externa em assuntos nacionais”.
Dias depois do duplo veto, Sergei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, foi até Damasco para se encontrar com o presidente contestado, mas as promessas feitas por Assad, que já as fizera antes de negociar com os opositores, continuam sem se concretizar.
Perante isto, e perante o que os EUA consideraram uma “castração” do Conselho de Segurança por Moscovo e Pequim, a UE já avançou que está a ponderar impor mais sanções ao regime sírio.



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