Com a morte da repórter norte-americana Marie Colvin e do fotógrafo francês Remi Ochlik, o número de jornalistas mortos na Síria sobe para sete
A ofensiva das forças do regime de Bashar al-Assad sobre a cidade de Homs, o bastião da revolta na Síria, vitimou ontem dois jornalistas ocidentais, segundo informou a agência Reuters. As vítimas são Marie Colvin, jornalista norte-americana ao serviço do jornal britânico “Sunday Times”, e o fotógrafo francês Remi Ochlik. Ambos morreram quando uma casa, utilizada como centro de imprensa pelos rebeldes, foi bombardeada, segundo relatou uma testemunha à agência Reuters.
Nos últimos meses vários jornalistas estrangeiros têm permanecido clandestinamente na Síria para dar conta da revolta popular contra o regime do presidente Bashar al-Assad. No caso de Colvin e Ochlik, ambos foram atingidos quando tentavam fugir do bombardeamento contra o centro de imprensa no bairro de Baba Amr. Outros jornalistas estrangeiros ficaram feridos, indicou Omar Chaker, contactado pela France Presse. Entre eles a jornalista Edith Bouvier, correspondente do jornal francês “Le Figaro” e o fotógrafo britânico Paul Conroy.
Os corpos dos jornalistas ainda não foram recuperados por estarem debaixo dos destroços, causados pelos bombardeamentos, o que torna difícil a sua recuperação , afirmou uma testemunha à Reuters.
Para Rupert Murdoch, proprietário do jornal “The Sunday Times”, Colvin era “uma das melhores correspondentes da sua geração”. A repórter de guerra, de 55 anos, era facilmente reconhecida por usar uma pala na vista esquerda, em consequência de ter sido ferida no Sri Lanka, durante a guerra civil no território, tendo perdido essa vista. O fotógrafo francês Ochlik, de 29 anos, tinha também já uma vasta experiência. Cobriu o golpe de Estado no Haiti, em 2004, e esteve presente nas revoluções da Primavera Árabe na Tunísia e no Egipto, tendo sido premiado pela World Press Photo pelas imagens captadas durante a guerra civil na Líbia. Publicou os seus trabalhos no “Le Monde”, no “Paris Match”, na revista “Time” e no “Wall Street Journal”.
Ontem, a comunidade internacional não poupou críticas ao regime sírio. “Isto é um aviso triste sobre os riscos que os jornalistas correm para informar o mundo do que se passa e dos acontecimentos horríveis na Síria”, afirmou o primeiro-ministro britânico David Cameron. Enquanto a França considerou o sucedido como uma confirmação do agravamento da situação no país: “Pedi à nossa embaixada em Damasco para exigir às autoridades sírias um acesso em segurança para levar ajuda às vítimas com o apoio do Comité Internacional da Cruz Vermelha”, afirmou o ministro dos francês Negócios Estrangeiros, Alain Juppé.
O ministro da Informação sírio, Adnane Mahmud, afirmou que as autoridades não estavam ao corrente da presença dos jornalistas mortos nos bombardeamentos de Homs. “O ministério pede a todos os jornalistas estrangeiros que entraram de forma ilegal (na Síria) para se dirigirem ao centro de imigração mais próximo para regularizarem a sua situação de acordo com as leis em vigor”, acrescentou o ministro.



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