Dia 9 de Fevereiro começa a paralisação de dois dias da agência
reutersParalisação de 48 horas nos dias 9 e 10 de Fevereiro surge como protesto da proposta de aumentos abaixo da inflação feita pela administração
Os jornalistas da agência de notícias Reuters decidiram fazer a primeira greve dos últimos 25 anos. A contestação surge devido à proposta da empresa de aumentos abaixo da inflação.
“Tentámos chegar a um acordo com a administração mas recusaram melhorar a oferta abaixo de 1,75%. Como tal, depois de anos de cortes de salário efectivo, os jornalistas votaram de forma esmagadora a favor da greve”, afirmaram Mike Roddy (sub-editor da agência noticiosa) e Helen Long (jornalista) em declarações ao jornal britânico “The Guardian”.
Recentemente, a agência propôs um aumento salarial de 1,5% aos seus colaboradores. Contudo, os funcionários consideraram-na “um insulto”. Isto porque reivindicam um aumento anual de pelo menos 7%, para que o valor seja “alinhado com a inflação”.
Segundo Michelle Stanistreet, do Sindicado dos Jornalistas britânicos (NUJ, sigla em inglês), os funcionários chegaram a um ponto que já “não conseguem mais pagar para trabalhar na Reuters, pois não têm sequer dinheiro para pagar os bilhetes de metro”.
A paralisação foi votada por 83% dos membros do sindicato, irá durar dois dias e já tem data marcada: terá início esta quinta-feira, dia 9 de Fevereiro, à meia-noite.
Stephen Adler, editor-chefe da agência britânica, já reagiu: “Fomos informados pelo NUJ que cerca de 150 membros da nossa equipa estão a ser chamados para fazer greve durante dois dias e, claro, que lamentamos saber isso. Porém, já colocamos em prática um plano de contingência para garantir que a Reuters continuará a fazer o jornalismo de qualidade que os nossos clientes confiam durante esse período”, afirmou o responsável em declarações ao “The Guardian”. “Respeitamos o direito dos nossos colegas e iremos recebê-los de volta para trabalhar no final dos dois dias de greve”, acrescentou ainda Stephen Adler.
A agência Reuters foi fundada em 1851 pelo alemão Paul Julius Reuter. Conhecida pelos “furos” jornalísticos no estrangeiro, a empresa engloba mais de 18 mil funcionários, em 204 cidades e possui textos em 19 línguas diferentes. Contudo, em 2007, a Thomson Corporation, do Canadá, associou-se à agência.
Embora com a fusão a empresa se tenha tornado na maior agência de notícias de todo o mundo, os funcionários começaram desde cedo a ameaçar fazer uma greve. Primeiro em 2008 e depois em 2009, devido aos cortes de empregos e às condições de trabalho após a fusão da Reuters e Thomson. Actualmente, a empresa é presidida por David Thomson, um conhecido empresário canadiano, eleito pela revista Forbes como o décimo homem mais rico do mundo.



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