11 revistas podem ter sido enganadas
Componente do vinho tinto tem sido estudada na prevenção do cancro e doenças cardiovasculares
Nos últimos anos o resveratrol, polifenol presente no vinho tinto, tem sido apontado como um dos antioxidantes mais interessantes na prevenção do cancro, problemas cardiovasculares e aumento da longevidade. Alguns dos resultados optimistas foram na semana passada postos em causa: a Universidade de Connecticut tornou público que um dos seus cientistas mais influentes, e mais citados nos estudos do vinho tinto e resveratrol, foi acusado numa investigação interna de 145 acusações de fabricação e falsificação de dados.
Dipak Das era o responsável pelo centro de investigação em doenças cardiovasculares da universidade. A investigação arrancou em 2008 depois de uma denúncia anónima e levou a instituição a concluir, num relatório de 60 mil páginas, que Das manipulou dados e teria ligações a pelo menos uma empresa de concentrados de resveratrol, a Longevinex. Das nega as acusações e diz que o caso resulta do preconceito da universidade contra investigadores indianos, lê-se no site “Retraction Watch”. Entretanto, os investigadores com cartas na área do resveratrol e vinho tinto têm tentado demarcar-se do caso, embora Das fosse um cientista conhecido: um dos artigos publicados na revista “Toxicology” foi citado em 349 trabalhos posteriores. Apesar de o caso obrigar a rever a literatura científica – a universidade informou 11 revistas científicas – Nir Barzilai, do Albert Einstein College of Medicine, rejeita que os resultados sobre o resveratrol caiam por terra. “Há muitos investigadores a trabalhar sobre o resveratrol. Não significa que saibamos toda a verdade, mas Roma não foi construída pelo Dr. Das.” Marta F. Reis



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