As Nações Unidas declararam hoje o fim do estado de "fome severa" na Somália, graças às boas colheitas e à ajuda humanitária, advertindo, no entanto, que 2,3 milhões de pessoas continuam a necessitar de ajuda urgente.
"Os resultados são frágeis e regredirão se o apoio não continuar", sublinhou o coordenador de Assuntos Humanitários das Nações Unidas para a Somália, Mark Bowden, num comunicado emitido em Nairobi, Quénia.
"Milhões de pessoas continuam a precisar de comida, água limpa, abrigo e outros tipos de apoio para sobreviver, estimando-se que a situação se deteriore em maio", disse.
Segundo o último relatório da Unidade de Nutrição e Segurança Alimentar na Somália, o número de pessoas em situação de emergência humanitária caiu de 4 milhões para 2,3 milhões, o que representa 31 por cento da população somali.
"No entanto, a crise não acabou", alertou o novo diretor geral da Organização das Nações Unidasd Para a Agricultura e Alimentação (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, durante uma conferência em Nairobi.
"Não podenos evitar as secas, mas podemos adotar medidas para que não resultem em situações de fome severa. Temos três meses até à próxima estação das chuvas", disse o responsável da FAO.
As Nações Unidas chegaram a declarar o estado de "fome severa" em seis regiões da Somália, o que significava que havia 750 mil pessoas em risco de morrer devido à falta de alimentos.
De acordo com os critérios da ONU, a fome severa é decretada numa zona quando pelo menos 20 da população padece de falta extrema de alimentos, mais de 30 por cento sofre má nutrição aguda e a taxa de mortalidade é de mais de 2 duas pessoas em cada 10 mil por dia.
A situação humanitária da Somália é agravada pelo conflito que o país vive há décadas.



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