Cartaz com a cara de um dos cientistas alegadamente assassinado pelos Mujaedines do Povo
Morteza Nikoubazl/ReutersDois membros do governo de Barack Obama confirmam à NBC as acusações do Irão de que Israel está por trás do assassínio de cientistas
Cartaz com a cara de um dos cientistas alegadamente assassinado pelos Mujaedines do Povo
Morteza Nikoubazl/Reuters
Os serviços secretos israelitas (Mossad) financiaram, treinaram e armaram um grupo opositor iraniano para realizar atentados contra cientistas do programa nuclear iraniano. A informação foi avançada ontem por altos membros da administração norte-americana à cadeia televisiva NBC.
Os Mujaedines do Povo do Irão (MEK), considerado pelos Estados Unidos como terrorista, pela sua actividade na década de 1970, estará por trás dos quatro atentados ocorridos desde 2007 contra cientistas do programa nuclear e também pelo ataque contra uma base de mísseis dos Guardas da Revolução nos arredores de Teerão.
Um dos últimos atentados, a 11 de Janeiro, matou Mostafa Ahmadi Rosham, vítima da explosão de uma bomba lapa no seu automóvel. O governo iraniano tem acusado Israel e os Estados Unidos de estarem por trás desses ataques, agora a confirmação vem do próprio executivo norte-americano.
Mohammad Javad Larijani, um importante assessor do supremo líder do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, explicou em entrevista à NBC, que os líderes iranianos acreditam que há uma relação próxima entre a Mossad e o MEK. “A relação é intricada e próxima”, disse Larijani, ao falar dos vínculos entre os Mujaedines e Israel. “Os israelitas pagam e os agentes do MEK fornecem informações”, acrescentando que agentes da Mossad “estão a treinar elementos dos mujaedines iranianos em Israel na manipulação de pequenos engenhos explosivos”.
Muita da informação que o governo iraniano coligiu sobre os atentados e as ligações entre Israel e o MEK foram obtidas em 2010 graças ao interrogatório feito a um elemento do grupo opositor que não conseguiu levar a cabo um ataque.
Larijani, que viveu e estudou nos EUA, afirma que o raciocínio dos israelitas é simples. “O trabalho faz-se em conjunto, Israel não tem acesso directo à nossa sociedade. Mas os mujaedines, um grupo iraniano, pode entrar facilmente em contacto com diversas pessoas. Temos documentos que o provam”.
confirmação americana Mas isso eram só acusações iranianas. Até dois altos membros da administração de Barack Obama, sob anonimato, terem confirmado à NBC que as ligações existem mesmo e que apesar de Washington não estar directamente envolvido nos atentados, a Casa Branca tem conhecimento da operação. “Todas as suspeitas são correctas”, disseram os membros do governo. Outro funcionário da administração Obama não quis confirmar ou negar a acusação: “Ainda nada está confirmado”.
O ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Avigdor Lieberman, não quis comentar mas um seu porta-voz afirmou: “Enquanto não pudermos ver as provas apresentada pela NBC, o ministro não reagirá a qualquer rumor ou notícia publicada”.
Já o MEK garantiu, em comunicado, que as acusações são “absolutamente falsas”. Ali Safavi, representante da organização, explicou que “nunca houve nem há membros do MEK em Israel”. No entanto, especialistas dizem que a sofisticação dos atentados indiciam o envolvimento de uns serviços secretos com experiência neste tipo de acções – como a Mossad.


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