Portugal e Marrocos, membros não-permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, apelaram hoje para o fim da violência na Síria, com Rabat a anunciar que pediu à China e à Rússia que pressionem Damasco.
“Já pedimos à Rússia e à China para que aumentem a pressão sobre a Síria, para que pare a violência”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino, Saad Dine El Otmani, que hoje terminou uma visita oficial de dois dias a Portugal.
No sábado, a Rússia e a China impediram, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a aprovação de uma resolução proposta por Marrocos que dava “pleno apoio” às decisões da Liga Árabe, em janeiro, para assegurar uma transição para a democracia na Síria e para por fim à violência, que já fez mais de seis mil mortos, segundo dados dos grupos de oposição ao regime do Presidente Bashar al-Assad.
O responsável marroquino, que falava em conferência de imprensa conjunta com o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, disse também que Marrocos repudia qualquer intervenção militar na Síria.
“Temos de encontrar uma possibilidade de solução política sem intervenção militar, porque uma intervenção militar pode ser desastrosa para a região”, acrescentou Saad Dine El Otmani, após o encontro com Paulo Portas.
O ministro português dos Negócios Estrangeiros, por seu lado, considerou que a proposta de resolução que Marrocos levou ao Conselho de Segurança, no sábado, era “equilibrado” e beneficiava de “uma legitimidade árabe”, criticando a rejeição do documento.
“É muito grave que a comunidade internacional dê uma imagem de paralisia quando, todo os dias, vemos na Síria o massacre de dezenas ou centenas de pessoas inocentes, à frente dos nosso olhos. Isso só pode motivar da nossa parte um protesto enérgico e uma vontade de trabalhar, no quadro do Conselho de Segurança e em colaboração com a Liga Árabe, para que mais dia menos dia e de preferência mais cedo do que tarde, venha a haver uma solução”, referiu Portas.
Paulo Portas apelou também a uma solução para a questão síria, para evitar que o país caia na guerra civil e para acabar com a violência do regime de al-Assad.
“Sem uma determinação da comunidade internacional, a Síria está a caminhar para a guerra civil e quando se chega a uma guerra civil o controlo está perdido”, disse Portas.
“A gravidade da situação é de tal ordem, com mais mortos, mais feridos todos os dias, com a facilidade com que um regime decide disparar sobre o seu próprio povo e com a desgraça humanitária que está a acontecer, que alguma vez as Nações Unidas e o Conselho de Segurança terão de tomar uma posição”, acrescentou.
No plano bilateral, Portas e Saad Dine El Otmani decidiram realizar ainda este ano uma reunião de alto nível e criar um “grupo de impulso económico” para estudar e propor alternativas de cooperação entre as empresas portuguesas e marroquinas.
“O novo governo de Marrocos está decidido a impulsionar cada vez mais a parceria estratégica com Portugal e senti a mesma vontade do lado português (…). Quero convidar os empresários portugueses a visitar e a procurar as oportunidades de investimento de Marrocos”, disse o ministro marroquino.



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