Israel
ReutersAs crianças cujos pais não são judeus serão expulsas durante este mês pelo governo de Telavive
Grande parte dos trabalhadores imigrantes vãos ser separados dos seus filhos. A decisão foi tomada esta semana pelo gabinete de Netanyahu, o primeiro-ministro do estado hebraico. Segundo a agência italiana PeaceReporter, 1200 crianças serão deportados no fim deste mês. Para o governo de Telavive o seu pecado é não falarem hebraico. Segundo a legislação israelita, aprovada recentemente, os filhos de imigrantes só têm o direito de ficar no país se viverem em Israel há pelo menos cinco anos, falarem hebraico e frequentarem a escola hebraica desde a infantil.
A decisão foi aprovada no gabinete de Netanyahu com 13 votos a favor, dez contra e quatro abstenções. Gideon Saar, o ministro da Educação israelita, declarou a sua oposição à medida xenófoba, afirmando que o Estado hebraico tem o dever de proteger as crianças.
Na conferência de imprensa, Netanyahu descartou os argumentos humanitários, tendo defendido que Israel devia expulsar pessoas que considera imigrantes ilegais.
O professor do Departamento de Ciências da Política da Universidade Hebraica de Jerusalém Gabriel Sheffer também mostra preocupação com a decisão do governo. “Este comportamento é muito negativo. Não deve forçar as crianças a sair do país dessa maneira”, disse ao i. Sheffer pensa que o maior problema é que a maioria da população não gosta dos imigrantes e que o governo tem tendência a querer agradar aos eleitores.
Este racismo ultrapassa a própria lei. Ainda que as crianças aprendessem hebraico, grande parte da população não as consideraria suficientemente integradas por não professarem a religião judaica. “Mesmo que aprendam a língua hebraica, há as questões da religião e de identidade. O nosso país é demasiado complicado para os imigrantes e pouco tolerante com populações que tenham outras identidades culturais e religiosas”, afirma o professor Sheffer.
Depois da segunda Intifada, o governo israelita abriu as portas a 200 mil imigrantes, principalmente do Sudoeste Asiático (China, Filipinas, Tailândia, Índia, Nepal e Sri Lanka) e de África (Sudão, Etiópias e Eritreia). O seu objectivo era substituir a mão-de-obra palestiniana. No entanto, por razões de equilíbrio demográfico, Telavive mudou de opinião: o governo quer atrair judeus residentes no estrangeiro em vez de aumentar o número de residentes não judeus.
Em 2010, 16 633 imigrantes, parte deles de origem judaica, chegaram a Israel. A grande maioria eram originários da Rússia e dos Estados Unidos.
A operação de “purificação étnica” está apenas a começar: actualmente vivem em Israel 280 mil imigrantes ilegais. Foi criada uma força chamada Oz Unit, do Ministério da Administração Interna, que pretende expulsar 20 mil imigrantes até ao fim deste ano e 100 mil até ao fim de 2013.
Para Sheffer esta operação de “purificação étnica” é cruel. Separa pais e filhos e atinge pessoas que não têm culpa de ter nascido em Israel. Mas o clima de intimidação e perseguição aos imigrantes tem dado os seus frutos: em 2009, mais de 700 pessoas tinham pedido a assistência do governo para voltar “voluntariamente” aos países de origem.
Segundo o Ministério da Administração Interna de Israel, mais de metade dos imigrantes detidos no ano de 2009 eram originários do Sudão e da Eritreia, países que, dada a sua situação política e os conflitos ali existentes, perseguem segmentos importantes da população por razões étnicas, religiosas e políticas. Estes imigrantes, deveriam, segundo o direito internacional, ser considerados refugiados.



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